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Este vídeo mostra de maneira real a situação que alguns brasileirinhos(as)são submetidos todos os dias... Todo mundo sabe que isso acontece, mas ter um olhar que parte de dentro, ouvi-los contar as histórias que você desconhece quando passa por um deles nas ruas te dá outro ângulo do problema.




O BICHO



Vi ontem um bicho

Na imundície do pátio

Catando comida entre os detritos.



Quando achava alguma coisa,

Não examinava nem cheirava:

Engolia com voracidade.



O bicho não era um cão,

Não era um gato,

Não era um rato.



O bicho, meu Deus, era um homem.





Manuel Bandeira. Estrela da Vida Inteira.
Mais um post para integrar nossa galeria de assuntos polêmicos. Desta vez o assunto explorado, como pôde ser observado no título, é a descriminalização do aborto.
Este é um tema que, sem dúvidas, levanta exaltadas e apaixonadas discussões. Uns dizem que é crime, outros dizem que é a livre manisfestação da vontade da mulher e assim se prolongam horas de argumentações nas qual os "adversários" tentam convencer um com o outro, ou apenas persuadir o seu opositor, mas isso agora não vem ao caso.
Convido-lhes a fazer uma suscinta reflexão a respeito do assunto aqui exposto.
Iniciemos a desconstrução do primeiro argumento: "Aborto trata-se de um crime; a ação de se tirar uma vida encontra-se na constituição brasileira e é conhecido pelo nome de homicidio."
Vejamos, a maioria das mulheres que cometem o aborto clandestino, geralmente em péssimas condições caseiras, arriscando a suas vidas, são mulheres de baixa renda, sem condições econômicas de garantir um mínimo de dignidade a uma criança; moram, geralmente, em áreas de altos índices de criminalidade o que , não por aplicação de qualquer tipo ortodoxo de determinismo, mas baseado em pesquisas sociológicas realizadas, terá grande possibilidade de ver seu filho entrar na rede criminosa e morrer prematuramente. Ela não pode evitá-lo mas poderá ver o Estado, que detem o monopólio da força, materializado na polícia, fazendo o "aborto atrasado" deste cidadão.
Toda esta conversa me fez lembrar daquela música do Gabriel, O pensador "pátria que me pariu". Essa música é um retrato das condições de concepção indesejadas por tantas brasileiras e de suas consequências.
Voltando ao tema, essa argumentação de proteção da vida me parece estranha, observemos o porquê. O aborto no Brasil é permitido apenas em casos de risco de morte da gestante ou em caso de estupro. Se o que se pretende é a defesa da vida, essa argumentação não nos leva a crêr que 1) Algumas vidas valem mais que outras já que pode ser tirado uma vida produzida através de uma violência sexual e não um produto de outro acontecimento;ou 2) A vida da mãe vale mais que a vida do filho ( o valor de vidas podem ser comparados?!) já que em caso de risco de morte pode-se optar pela vida da genitora e a negação da vida ao feto; ou 3)Não é a defesa da vida que se pretende com essa lei - vale investigar quais as verdadeiras intenções por trás dela.
A Igreja, representada por um padre, em um caso de estupro, excomungou a menina estuprada e os médicos que realizaram o aborto mas não fez o mesmo com o estuprador. Isso gerou um grande mal estar entre a Igreja e a sociedade que causou "fundunço" até no Vaticano.
Bento 16 interpelado a respeito foi categórico: Não se deve abortar nem fetos produtos de um estupro.Pedir, como sugeriu o papa, que nem em caso de violência sexual uma gestação seja interrompida é uma das coisas mais cruéis que se podem solicitar de alguém. Imagine o que é conviver com a lembrança materializada de um ato tão desprezível e perturbador. A mãe sofrerá danos psicológicos terríveis e muitíssimo provavelmente será incapaz de amar esse filho gerando nele outros transtornos psicológicos que poderá transformá-lo em uma pessoa infeliz ( isso na melhor das hipóteses)que será impossibilitado, provavelmente, de desenvolver qualquer vínculo afetivo saudável.
A opção de realizar, ou não, um aborto repousa em questões morais, éticas e de príncipios particulares. Isso quer dizer que ninguém que não faria um aborto clandestino, fará um aborto apenas porque este, agora, está dentro da esfera legal do Estado, ou que alguém que o faria, deixaria de fazê-lo por motivos de embargos legais- é o que assistimos com frequência no cotidiano.
O fato de existirem pessoas que não o fariam, não pode interferir que o Governo estabeleça leis que permitam que as que assim desejam fazê-lo(por motivos particulares que só elas podem definir como fortes suficientes ou não) o faça com segurança e sem risco de morte. Quantas mulheres terão que vir a óbito para que se deixe de fechar os olhos para a realidade brasileira, para que o bom senso vença o falso moralismo e reconheçam que a sociedade precisa urgentemente de um leis que garantam a segurança médica da mulher? Não é uma questão apenas moral, é uma questão de saúde pública.
Não acredito que a descriminalização irá aumentar os índices de abortos, apenas que será conhecido o nº exato de pessoas que realmente o fazem, já que agora o farão sob tutela do Estado.
Um filho planejado, desejado terá muito mais chances de ter uma vida saudável moral, ecomômica e afetivamente do que uma que não o foi. Talvez, a longo prazo, até se diminua o índice de criminalidade no país.
Eu particularmente não faria um aborto. Seria psicologicamente terrível para mim, passaria a vida inteira imaginando como ele seria, como seria o jeito, o cabelo, os olhos, o sorriso, como seria seu desenvolvimento na fala, na coordenação motora, o que ele estaria fazendo se aqui estivesse... Isso iria me perseguir durante toda a vida, provavelmente faria de mim uma pessoa infeliz. Mas a minha opinião pessoal não pode ser usada como critério para submeter ninguém a um comportamento parecido ao meu.
Me veio à cabeça aquela famosa frase de Voltaire: "posso não concordar com nenhuma palavra que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las." (adaptada claro..)
A mulher tem que pelo menos ter o poder de definir o que fará do seu corpo, afinal será dela o trabalho de sustentar, criar, educar, etc. O Estado e a sociedade já tentam exercer poder demais sobre nós, iniciemos a nossa marcha para a libertação. Como sugeriu Rousseau em o Contrato social: Deixemos que ser aquilo que a sociedade deseja que sejamos, vamos em busca da nossa essência particular.Fingir o tempo inteiro ser quem não somos, mesmo que já tenhamos nos acostumado a tal ponto de acreditar que somos como queremos parecer ser,faz de nós pessoas internamente infelizes.
Seria interessante se parássemos de querer ver o mundo como mero espelho de nós mesmos e começassemos a ver o outro como OUTRA pessoa, com todas suas particularidades e se ficássemos felizes pela enorme diversidade que o mundo nos oferece e seu grande potencial de agregar e fazer de nós pessoas melhores.

Abaixo segue um texto de Samantha Buglione que é bacharel e mestre em direito, doutoranda em ciências humanas e professora licenciada da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) publicado no site www.universia.com.br sobre o tema.

Publicado em 31/08/2005 - 17:51

Descriminalizar o aborto não significa promover o aborto, mas significa perceber que a via penal não é a melhor forma de tratar a questão. Para compreender o que significa sair da via penal um bom exemplo é o adultério. O adultério deixou de ser crime este ano no Brasil. A sua descriminalização não implica no seu aceite moral ou que a sociedade brasileira passou incentivá-lo, ou, ainda, que com a descriminalização, o numero de adultérios irá aumentar. O aborto, ao contrário do adultério, sempre será um tema limite. Causa polêmicas apaixonadas por lidar com questões delicadas como vida, morte, pessoa e humanidade. No entanto, tem incríveis semelhanças com o adultério, uma delas é o fato de que é uma prática, apesar de condenada, pouco penalizada.

Se compararmos o número de abortos feitos e o número de processos se encontrará uma enorme discrepância. Nos últimos dez anos não se contabiliza, no Brasil, mais de 15 processos por aborto. A relação com o adultério nos serve, principalmente, para compreender o sentido da descriminalização. Criminalizar o adultério ocorria não apenas para proteger a moral familiar, mas a propriedade. Ou seja, era o meio de garantir que a mulher não teria filhos fora do casamento. Tanto que os casos de adultério feminino que culminavam com a morte da mulher pelo marido ultrajado em regra geravam absolvições com o lamentável argumento de "legítima defesa da honra", que nada mais é do que uma infeliz construção retórica pelo Direito. A intenção em trazer este exemplo é fazer pensar que a criminalização do aborto não ocorre, apenas, para proteger a vida. Se assim fosse, se a vida fosse um bem tão precioso à sociedade brasileira os vários permissivos deveriam ser repensados, como também as nossas práticas cotidianas (principalmente as relacionadas ao meio ambiente). A questão chave é que criminalizar o aborto é uma forma de negar a chamada autonomia reprodutiva da mulher. Um tema igualmente delicado porque implica no reconhecimento de poder para um grupo historicamente compreendido como um sujeito de segunda categoria ou "relativamente incapaz". Além disso, a descriminação que decorre da proibição do aborto é de classe e de geração. Isto é, na sua maioria são mulheres pobres e jovens que realizam o aborto em situações de risco de vida e que podem vir a sofrem possíveis processos.

Mulheres e casais com condições econômicas razoáveis não sofrerão riscos à saúde tampouco o julgamento moral da sociedade, uma vez que isto será feito no silêncio do mundo privado. Apenas para constar: um aborto clandestino feito com segurança varia, em média, de R$ 1.500 a R$ 4.000 reais. Segundo dados do Dossiê Aborto de 2005 esta é a 5ª causa de morte materna no Brasil. Ademais, conforme dados do SUS, são cerca de 238 mil curetagens decorrentes de aborto por ano, cada uma ao custo médio de R$ 125,00; ficaram daí excluídos, por exemplo, os custos com internações por período superior a 24 horas, os gastos com UTI e os recursos necessários ao atendimento de seqüelas decorrentes do aborto clandestino.

Do ponto de vista prático, a criminalização do aborto, além de não proteger a vida do feto, gera a morte de mulheres e gastos desnecessários para o Estado. O que se quer evidenciar neste breve ensaio é que a via penal não é, neste caso, o meio mais eficiente para proteger a vida, ao contrário. Não se está, com a descriminalização do aborto, afirmando que o feto não tem direito à vida, ou que não é pessoa. O fato é que defender a descriminalização significa, em síntese: a) exigir do Estado outros meios para evitar a morte dos fetos, ou seja, políticas preventivas de educação, acesso à saúde, acesso à métodos contraceptivos, minimizar os índices de pobreza e b) que no conflito entre os direitos do feto e da mulher ou do casal o direito à autonomia desta mulher irá prevalecer. Novamente, não se está promovendo a morte, apenas questionando a nossa prática, afinal, se a vida fosse, realmente, um bem absoluto, não poderia, em nenhuma hipótese, ser preterida por outros direitos, interesses ou estado de necessidade. O que se quer afirmar, por fim, é que o crime de aborto promove mais a morte do que a vida e viola um pressuposto básico da dignidade humana: a liberdade. O Brasil, através da Comissão Tripartite, composta por representantes dos Poderes Executivo, Legislativo e da Sociedade Civil, objetiva pensar, de forma democrática o posicionamento da sociedade brasileira. O risco é que a hipocrisia das nossas práticas se sobrepunha à capacidade de analisar o problema com praticidade e bom senso.

http://www.universia.com.br/docente/materia.jsp?materia=8388
Bem, encontrei no meio de meus papéis antigos uma redação que tinha feito a respeito da maioridade penal. Lembrei- me de ter lido um assunto muito relacionado ao assunto dias atrás. Achei relevante trazer de volta esta reflexão. Abaixo vocês poderão ler o texto publicado na Carta Capital que disserta sobre como é tratado o jovem infrator no Brasil, logo abaixo a minha humilde redação do tempo do secundário. Leiam a matéria que segue vale a pena pensar a respeito.

Fiquem a vontade...

..Reformatório não, cadafalso 16/09/2009 12:32:47
Cynara Menezes

A carreira do jovem P.H.C.S. no mundo do crime foi curta: durou exatamente um ano. Da primeira vez que foi preso, aos 15 anos, furtou um celular e passou a noite detido. Da segunda vez, já usava uma arma e ficou preso por 45 dias. Da terceira, recebeu a acusação de tentativa de latrocínio – roubar e matar. Foi sentenciado a uma pena de seis meses a três anos de reclusão. Não chegou a cumprir nem 60 dias. Apareceu morto por asfixia, no mês passado, na cela que ocupava com outros três adolescentes nas dependências do Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje), em Brasília. Tinha 16 anos.

Segundo dados do Ministério Público do Distrito Federal, nos últimos doze anos 21 adolescentes foram mortos dentro das dependências do Caje, espécie de Febem local. Se computado o total geral de jovens infratores assassinados enquanto cumpriam medidas socioeducativas, o que inclui internação, semi-liberdade e liberdade assistida, os números espantam. Nada menos que 178 adolescentes sob tutela do Estado morreram entre 2003 e 2005, de acordo com pesquisa feita pela Universidade de Brasília.

Embora não haja dados mais recentes, sabe-se que o caso do adolescente P.H. não é um fato isolado. Alvo de seguidas denúncias, de pedidos de intervenção federal e até da ameaça de aplicação de sanções morais feita pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, o Caje é uma instituição que o próprio governo do Distrito Federal reconhece como em colapso. Os principais problemas são a superlotação – no momento do assassinato de P.H. havia 315 adolescentes num local com capacidade para 160 internos – e as condições físicas do centro, construído em 1976 e hoje literalmente caindo aos pedaços.

Erguidas em alvenaria pré-moldada, as paredes do Caje são destruídas facilmente pelos internos, que usam os estilhaços para atingir rivais. Há queixas em relação à umidade, à pouca luminosidade e à infestação de ratos e insetos. “É uma estrutura condenada”, diz Perla Ribeiro, coordenadora do Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedeca), entidade que fez seguidas denúncias da situação do Caje, inclusive à comissão da OEA. “Não há interesse do governo em recuperar o adolescente, só em interná-lo e puni-lo, o que é estúpido porque gera despesa, mas não resultado.”
Para dar uma ideia da falta de empenho do governo do DF com medidas socioeducativas, o Cedeca distribuiu nota oficial após a morte de P.H. computando os gastos oficiais com o programa de liberdade assistida para o menor infrator. Apenas 563 reais do orçamento anual da capital foram destinados a este fim. A Secretaria da Justiça garante, no entanto, que em 2010 tudo vai ser diferente. “Vamos virar a página”, promete o secretário-adjunto Flavio Lemos, contando que o próprio governador José Roberto Arruda está exigindo mudanças urgentes no setor.

“Tenho aqui na minha mesa um bilhete do governador perguntando quando vamos desativar o Caje”, afirmou Lemos à CartaCapital, sem, no entanto, oferecer resposta exata à pergunta de seu chefe. Em princípio, a data prevista para o fechamento do centro seria abril de 2010, coincidindo com o 50º aniversário de fundação da capital. Novas unidades seriam inauguradas, entre elas uma em sistema de semiliberdade, que não existe. Como a mesma promessa de desativação foi feita em 2004 e nunca ocorreu, há quem duvide que as promessas de agora sejam de fato cumpridas.

Desde que Arruda assumiu o governo, em 2007, o secretário de Justiça, responsável pela área, mudou cinco vezes. “É um abacaxi que ninguém quer segurar”, diz o promotor da Infância e Juventude, Anderson Pereira de Andrade. Segundo Andrade, o governo local tem se caracterizado por descumprir todas as decisões judiciais em relação ao Caje. “Não constrói unidades novas, não melhora as condições, não paga as multas a que foi condenado”, acusa. “Todos os governos do Distrito Federal têm sido omissos com a questão da infância e juventude. Este, então, é completamente descomprometido.”

A situação do Caje do Distrito Federal está longe de ser única no Brasil. Todos os anos, os relatórios de direitos humanos da Organização das Nações Unidas chamam a atenção para a má situação dos centros de internação de menores infratores no País. Outro relatório, divulgado pela Anistia Internacional em maio, vai no mesmo sentido. Aponta maus-tratos e abusos cometidos no sistema de detenção juvenil tanto na antiga Febem, hoje Fundação Casa, em São Paulo, quanto no Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), no Rio. Foram apresentadas denúncias sobre jovens espancados e até mortos dentro das dependências de ambas as instituições.

O que chama a atenção no caso do centro de Brasília é não ter havido praticamente nenhuma mudança na instituição mesmo após anos de notícias de rebeliões e mortes de menores causadas por rivalidades entre grupos. O único concurso público feito para renovar o número de agentes no Caje, por exemplo, foi considerado insuficiente pelo próprio GDF, que promete realizar uma nova seleção no ano que vem. Iniciativas fundamentais para a segurança dos jovens infratores, como a separação por idade, compleição física, gravidade da infração e existência de rixas, previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, não são cumpridas, de acordo com o Ministério Público.

A maioria dos adolescentes internados no Caje tem perfil similar: sexo masculino, entre 16 e 17 anos, escolaridade baixa, criado só pela mãe e oriundo de bairros carentes de equipamentos de lazer. Os últimos adolescentes assassinados na instituição foram mortos, como P.H., por colegas de cela. No ano passado, A.L.A.S., também com 16 anos, foi enforcado por três dos quatro internos com quem dividia o quarto na ala provisória. Já havia avisado os familiares que se sentia inseguro ali. P.H. não chegou a dizer à mãe que sentia medo, mas tinha pedido para trocar de cela alegando “não conhecer” os outros rapazes.

Ao contrário da maioria, o jovem não abandonara a escola – estava na oitava série – e vivia com pai e mãe. Preferia escrever cartas do que falar diretamente à família dos problemas. Na última delas, tinha dito que estava arrependido, prometera mudar de vida e aconselhara o irmão mais novo, de 12 anos, a não trilhar caminho parecido, o que a mãe atribui às más companhias. Não teve tempo de cumprir a promessa. Como foi assassinado quando se encontrava sob cuidados do Estado, a família estuda a possibilidade de pedir indenização à Justiça. Em 2008, a mãe de um interno do Caje morto em 2004 ganhou causa similar porque os desembargadores do Tribunal de Justiça entenderam ser dever do governo assegurar a integridade física de menores sob sua custódia.


Eu irei fornecer as fontes para que as pessoas que quiserem incluir comentários a respeito das matérias re-publicadas aqui possam usá-las como referência bibliográfica
FONTE:
http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=6&i=5047
As crianças marginalizadas são alvos fáceis para narcotraficantes, assaltantes e demais pessoas corruptas que se apoderam de suas infâncias e as levam para dentro do mundo da ilegalidade, formando assim uma geração que dará continuidade ao seu estilo de vida ilégitimo.
Aos 16 anos, para um país, um cidadão já está apto a escolher quem irá governar sua cidade, Estado e/ou nação, mas não pode ser julgado e condenado pot um crime por ele praticado. A indefinição das verdadeiras responsabilidades e do grau de consciência dos cidadãos entre 16-18 anos, causa uma polêmica de como deve agir a lei para lidar com esses indivíduos.
Entre 16-18 anos a maior parte dos adolescentes já resolveram em grande fração o que ele é, e têm consciência de suas atitudes.
A impunidade desses indivíduos dá abertura para os "chefes da ilegalidade" de cometerem seus crimes através desses adolescentes e garantir-lhes impunidade baseados na própria lei.
É nesse período que eles se "especializam" na criminalidade e cão se tornando os futuros assaltantes, contrabandistas, narcotraficantes etc. se é que alcançarão os 25 anos de idade, pois muitos deles morrem muito jovens. A vida na criminalidade é geralmente muito curta, a morte é um destino certo e ligeiro.
Os menosres infratores devem perceber que eles estão ao alcance da lei. Mas paralelo a isso deve existir um rpojeto que impeça a ingressão desses menores ao mundo de delitose lhes dê a opção de serem homens de bem. Em caso de infração, deve existir a punição e locais adequadamente elaborados para a retirada desse jovem infrator dessa vida criminosa, pois atualmente os lugares de reabilitação do jovem descumpridor das leis não passam de locais para tumutuá-los e retirá-los de circulação.
Punir os infratores em atividade e educar as crianças e adolescentes para não entrarem na criminalidade é a saída para diminuir significadamente os deliquentes e formar cidadãos estudantes e trabalhadores que colaboram positivamente com o melhoramente da sua vida pessoal e consequentemente no desenvolvimento do país que será habitados por seus sucessores.

Tatiana.
Assisti esse vídeo e o achei tão forte! É incrível como no conforto das nossas casas nos esquecemos da situação que alguns brasileiros vivem. Muitas vezes nos perguntamos o que podemos fazer a respeito; outros acreditam que este é um problema que deve ser observado e solucionado unicamente pelo Estado.
Se esse curta não servir para causar em você uma reação em prol dos outros, vai fazê-lo ( espero eu ) pelo menos repensar em como anda levando a sua vida.
Assistam, vale a pena.


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Bem, as revistas brasileiras confrontam as suas opiniões a respeito do caso em Honduras. Enquanto uma tenta fazer a imagem governista de "bobo da corte" outra problematiza o caso e ver a situação mas moderadamente. Para que não diga que privilegio informações irei postar os dois lados da questão para que os leitores tirem suas próprias conclusões a respeito.
Irei comentar ( claro eu tenho uma opinião definida a respeito do caso!) alguns pontos que eu considerei absurdos.
Boa reflexão.




.............................Revista Veja.

..................Zelaya, fique à vontade: a casa é mesmo sua

27 de setembro de 2009

Por Thaís Oyama,
enviada especial de VEJA a Tegucigalpa



Nenhuma surpresa: a enfática reação do Brasil diante do fato consumado de que Zelaya está usando a embaixada como bunker para exortar os hondurenhos à insurreição resumiu-se a um acanhado pedido oficial para que ele "abstenha-se de fazer conclamações e que não ultrapasse os limites já firmados".

A progressiva desenvoltura com que o hondurenho vem se comportando e a proporcional condescendência com que vem sendo tratado pelo governo brasileiro permitiram que, ontem, o presidente deposto distribuísse comunicado a jornalistas instando a população de Honduras a "organizar-se para promover atos de desobediência civil contra a ditadura - coisa que ele sabe muito bem no que pode dar.
(Comentário pessoal: O que seria da nosso Brasil se a população aceitasse pacificamente o golpe militar? A população tem mais é que se mostrar insatisfeita mesmo, estamos falando de um GOLPE DE ESTADO, gostaria de lembrar que este é ilegítimo, Não vi em momento algum comentários que deveria ser feita uma luta armada. Existe maneira mais pacífica de demonstrar insatisfação com um governo ditatorial do que a desobediência civil? Inclusive este metódo foi o proclamado por Dalai Lama um dos grandes exemplos de pacificidade.)

A tensão em Tegucigalpa é crescente. A presença de soldados, e agora das tropas de choque, diante da embaixada foi reforçada ontem e hoje. Amanhã, dia 28, completam-se três meses da deposição de Zelaya e grandes manifestações de rua estão sendo esperadas.

O ministro Celso Amorim soube do episódio do comunicado de Zelaya aos hondurenhos assim que chegou ao Brasil, vindo da Venezuela, na noite de ontem. Nem se deu ao trabalho de transmitir ele mesmo ao presidente deposto a resoluta e inapelável mensagem do governo brasileiro. Passou a tarefa para o único diplomata presente na embaixada, o ministro-conselheiro Lineu Pupo de Paula - que, aliás, já havia dito o mesmo ao hondurenho no dia anterior. Zelaya deve estar tremendo de medo.


A verdade sobre o "gás mortal" de Zelaya
26 de setembro de 2009

De onde quer que tenha partido o tal "gás tóxico" de que falou Manuel Zelaya, ele não teve outro efeito que não o de servir para que o presidente deposto exercesse seu marketing histriônico mais uma vez.

Bandeira brasileira hasteada na sacada da embaixada (AP)Um cheiro forte de gás foi de fato sentido na manhã de sexta-feira na embaixada brasileira e alguém terá de dar uma explicação sobre isso. Mas, segundo relatos insuspeitos de quem está lá dentro, ele:

- não provocou mais do que um ressecamento passageiro na garganta e um ardor nas narinas

- ninguém passou mal, vomitou sangue ou urinou sangue por causa disso, como alardeou Zelaya, que hoje chegou a comparar a substância às "duchas de gás nazistas"

- os médicos da Cruz Vermelha não foram impedidos de entrar para examinar os supostos "feridos"

- os 63 partidários do presidente deposto que se encontram na embaixada estão todos muito bem, obrigado

( comentário pessoal: Quer dizer que o fato de não ter matado alguém retira a gravidade do ato?! Aah, já que não morreu ninguém vamos deixar para lá... Que absurdo! Consideremos que aquele velho ditado :" quem conta um conto aumenta um ponto" tenha sido utilizado no caso. Este episódio demonstrou a fragilidade de defesa da embaixada brasileira e sugeriu intenções nada boas dos golpistas. O fato de ninguém ter expelido sangue não ameniza a periculosidade do ato. Notem a maneira com a qual a jornalista acima se refere ao acontecido: - ninguém passou mal, vomitou sangue ou urinou sangue por causa disso;- não provocou mais do que um ressecamento passageiro na garganta e um ardor nas narinas. Não sei se foi impressão minha mas me pareceu bem descausada e irônica. Não estamos falando de um pisão no pé num baile. Estamos nos referindo a um gás atirado dentro de uma embaixada internacional! Não importa o seu efeito, para causar bem-estar ou dar as boas vindas que não foi!)

Tão bem que hoje, depois do almoço, resolveram se juntar para, aproveitando a recém permitida proximidade da imprensa, espalhar cartazes na varanda com frases conclamando a resistência. Só desistiram depois de tomar uma bronca do novo encarregado de (tentar) manter o que resta da autoridade brasileira na embaixada, o ministro-conselheiro Lineu Pupo de Paula.
(Comentário pessoal: Claro que Zelaya não pode usar a embaixada como escritório político. Mas covenhamos que ele não tem muitas maneiras de tentar chamar atenção da população ( se é que precisa) e das comunidades internacionais para o que está acontecendo com seu país.)

Um pouco mais tarde, foi a vez do próprio Zelaya mostrar que, na qualidade de "hóspede", já ultrapassou todos os limites da desenvoltura: em comunicado distribuído aos jornalistas que estão dormindo na embaixada, exortou os hondurenhos a "organizar-se em cada aldeia, bairro, povoado, município, para promover atos de desobediência civil contra a ditaduras". Zelaya não tem mais qualquer dúvida de que a embaixada brasileira é seu bunker particular. Registre-se que ontem mesmo o presidente Lula ligou para o hondurenho para pedir-lhe um pouco de moderação e compostura. Agora, terá de engolir a seco mais essa afronta.



..................................Carta Capital.

...............................Democracia sitiada

25/09/2009 10:38:32

Cynara Menezes

A mediação pela Organização dos Estados Americanos (OEA) parece ser a única saída possível para o impasse em que se encontra Honduras desde que o presidente deposto, Manuel Zelaya, voltou ao país e pediu abrigo na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Mantida sob controle pelas tropas de Roberto Micheletti durante os três meses de governo golpista, a população foi às ruas em apoio a Zelaya, levando a capital à convulsão. Ao menos duas pessoas morreram nos confrontos.

Micheletti se disse disposto a conversar, mas não a devolver o cargo ao presidente deposto. “Minha oferta não tem o poder de cancelar a ordem de prisão que lhe foi dada nem as acusações que sofre. Minha oferta é buscar uma solução política, mas não posso resolver suas dificuldades legais”, anunciou, em nota, o golpista, deixando bem claro que, se sair da embaixada, Zelaya será preso.

Em Honduras, ninguém se atrevia a antecipar um desfecho para o episódio. Até os analistas mais independentes duvidavam que o ex-presidente consiga voltar ao governo do qual foi apeado em 28 de junho. Uma solução aventada é a realização de um referendo entre a população para conferir se a maioria dos hondurenhos deseja o presidente de volta, mas nem mesmo a diplomacia brasileira acreditava na possibilidade desse tipo de entendimento.

“Foi por causa de uma consulta que o Zelaya caiu. Ele queria saber se havia a disposição para realizar uma Assembleia Constituinte e isso foi lido como tentativa de reeleição, o que serviu de argumento para o golpe”, disse à CartaCapital o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia. O assessor de Lula rechaçou por completo a possibilidade de Zelaya se entregar, defendida em editorial pelo jornal americano Wall Street Journal, tese abarcada por vários diários hondurenhos.

“Se entregar por quê? Ele é o presidente legítimo. Podemos imaginar que, por conta de uma negociação, os golpistas não sejam punidos, só isso”, opinou Garcia, que se declarou “estupefato” com o posicionamento da imprensa brasileira no episódio. “Os jornais estão mais preocupados em saber se o Brasil ajudou o Zelaya a entrar de volta no país, se não seria uma exorbitância nossa. Ora, o absurdo não é ele ter entrado, mas ter saído, de pijama e com uma metralhadora na cabeça.”

De acordo com o governo brasileiro, o Itamaraty só teria sido informado da chegada de Zelaya a Honduras depois que este havia batido às portas de sua representação diplomática em Tegucigalpa. O próprio Zelaya contou à imprensa que seu retorno foi concretizado, após duas tentativas frustradas, por meio de uma operação que durou quinze horas, por terra e por ar, entre o domingo 20 e segunda-feira 21.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi quem deu mais detalhes da operação. “O presidente deposto, Manuel Zelaya, chegou no porta-malas de um carro e passou por vinte postos de controle para chegar a Tegucigalpa”, revelou Chávez. Depois, em Nova York, o venezuelano afirmou ter despistado os opositores de Zelaya dando informações erradas em telefones supostamente grampeados. “Liguei para ele e, como sei que estão nos gravando por satélite, disse: ‘Zelaya, nos vemos em Nova York’”, contou o venezuelano.

Fazendeiro rico, originalmente de centro-direita e perfil conservador, Zelaya começou a ser atacado pelos setores dominantes de seu país e foi apeado do poder justamente por se aproximar de Chávez e dos demais presidentes “bolivarianos” da América do Sul, Evo Morales, da Bolívia, e Rafael Correa, do Equador.

No decorrer da semana, a imprensa hondurenha criticava a diplomacia brasileira por ter permitido a entrada de Zelaya na embaixada em Tegucigalpa. “Há um problema em Honduras e devemos resolvê-lo definitivamente entre os hondurenhos”, defendia o El Heraldo. E destacava outro texto, assinado por um leitor, em que os diplomatas brasileiros eram chamados de “bárbaros do Sul”, agindo de forma homóloga aos “bárbaros do Norte”, os EUA.

O jornal La Tribuna acusava os simpatizantes do presidente deposto de vandalismo e, ao mesmo tempo, exortava os golpistas a aceitar nova visita da OEA, embora Micheletti tenha declarado restrições ao secretário-geral, José Miguel Insulza, a quem considera parcial. O único veículo impresso que se mostrava simpático à causa Zelayista era o pequeno Tiempo, de San Pedro, que, em editorial, mostrava as razões pelas quais o presidente golpista diz não perseguir a imprensa. Em Honduras, “o jornalista que valoriza sua vida ou se vende ou se expõe a ser atropelado por um ônibus”, acusou o diário.

O Tiempo também foi o único a destacar o pedido da Prêmio Nobel da Paz guatemalteca, Rigoberta Minchu, de que a integridade física de Zelaya seja respeitada, e o apelo da Anistia Internacional para que cessasse a repressão nas ruas. Ao menos dois veículos favoráveis a Zelaya, a Rádio Globo e a rede de televisão Canal 36, alegaram ter sido vítimas de atentados. “Os donos dos jornais não permitem que se fale contra o governo”, declarou à CartaCapital o articulista Billy Peña, do Tiempo, que afirmou não enxergar saída para a crise.

“Ambos, tanto Zelaya quanto Micheletti,- não dão o braço a torcer. Preocupa-me que haja um banho de sangue. Não acredito que Zelaya volte à Presidência”, opinou Peña, segundo quem, existe, para além da política, uma questão pessoal entre o golpista e o deposto, daí a intransigência mútua. Antes de planejar o golpe contra Zelaya, Micheletti era seu aliado. Os dois foram eleitos pelo Partido Liberal e Micheletti ocupou a presidência do Congresso enquanto Zelaya era presidente do país.

Dentro da embaixada brasileira, Zelaya reclamava de se sentir como se estivesse “num cárcere”. Uma das condições impostas pelo governo brasileiro para o “abrigo” – evitava-se falar em “asilo”, – foi que o presidente deposto mantivesse um perfil discreto, para não dar margens às criticas dos partidários de Micheletti e da oposição brasileira, que já acusava o hondurenho de transformar a representação diplomática do país em “escritório político”.

Manter-se discreto não parece ser o forte do bigodudo Zelaya, com seu 1,90 metro de altura e chapéu de caubói. Suas últimas declarações, de que ele e os seguidores na embaixada estavam sofrendo “dos nervos” devido ao bombardeio de ondas de ultrassom emitidas por equipamentos instalados por mercenários israe-lenses, causaram desconfiança na imprensa internacional. Assim como a suspeita de que o governo Micheletti dispunha de um plano para assassiná-lo no interior da representação brasileira, fazendo crer que fora suicídio.

Histrionismos à parte, o que poucos questionam é a legitimidade de seu retorno ao poder. Depois que o presidente Lula declarou na Assembleia-Geral da ONU que a comunidade internacional exige que Manuel Zelaya reassuma imediatamente a Presidência de seu país”, outros chefes de Estado o seguiram. Também na ONU, o presidente do governo espanhol, José Luis Zapatero, declarou: “Não vamos aceitar um golpe antidemocrático. A democracia voltará a Honduras”.

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, pediu em discurso que as eleições em Honduras sejam coordenadas pelo presidente eleito “democraticamente”. E o cerco a Micheletti continuou com a suspensão temporária pela ONU da cooperação com o Supremo Tribunal Eleitoral de Honduras para a realização do pleito de novembro, por falta de credibilidade.

Ecoava ainda a decisão do FMI de continuar reconhecendo Zelaya como chefe de Estado. No contra-ataque, os jornais hondurenhos divulgaram um estudo elaborado pela Biblioteca do Congresso dos EUA que avalia a destituição de Zelaya como “amparada na Constituição”. O informe defende, porém, que a expulsão do presidente eleito foi ilegal e recomenda a Micheletti que permita sua saída da embaixada.

O governo brasileiro mantinha a expectativa de uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU na sexta-feira 25. Como os analistas hondurenhos, o Itamaraty trabalha com a hipótese da negociação entre os golpistas e o presidente eleito para que o país não entre numa crise de longa duração. Apesar dos péssimos indicadores sociais, com altas taxas de desigualdade, analfabetismo e trabalho infantil, Honduras é um país de tradição pacífica.

Mesmo com as restrições feitas a seu nome por Micheletti, Insulza anunciou a ida de uma missão a Honduras para uma mesa de negociações tendo como base o acordo de San José, elaborado pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que prevê a volta de Zelaya ao poder sem direito à reeleição. Em entrevista, Insulza disse que “toda – com t maiúsculo – comunidade internacional apoia a atitude do Brasil”.

Resta saber como e quando Zelaya sairá de seu bunker na embaixada para participar das negociações. “Haya de la Torre ficou dez anos numa embaixada, isso é o de menos”, declarou Marco Aurélio Garcia. Na verdade, o peruano Víctor Raúl Haya de la Torre, perseguido pela ditadura militar do general Manuel Odría, se refugiou durante cinco anos na embaixada da Colômbia, em Lima, de 1949 a 1954, até obter um salvo-conduto para deixar o Peru. Zelaya, ao contrário, parece disposto a cruzar as portas da embaixada brasileira só quando obtiver o direito de permanecer, não de fugir.
Abaixo segue uma matéria publicada na Revista Carta capital que oferece uma visão bem diferente sobre a maconha. Sem comentários voltados para idéia de "moral" ou de teor preconceituoso sobre o tema. Ela abrange a maconha como qualquer outro potencial produto de mercado. Essa matéria me fez refletir sobre a disseminação da informação que segue rigorosos critérios de interesses comerciais e acaba por evidenciar a falsa preocupação que os políticos demagogos querem transparecer ilegalizando umas coisas e legalizando outras sugerindo que zelam pelo bem estar social.


Guerra perdida

26/05/2009 13:09:05

Wálter Fanganiello Maierovitch



Em 2009, o mercado de drogas proibidas vai movimentar, no sistema financeiro internacional, por baixo, 300 bilhões de dólares. Nos últimos quinze anos, esse valor oscilou entre 100 bilhões e 400 bilhões de dólares. É a demonstração do vigor de um setor que não parece atingido pelos efeitos da crise financeira mundial.

Na verdade, o mercado sem fronteiras das drogas proibidas nunca viveu tempos de vacas magras e a War on Drugs, com etiqueta Made in USA, não impediu o aumento dos lucros das internacionais criminosas. Para se ter ideia, nos 25 últimos anos de “guerra às drogas”, os EUA jogaram pelo ralo 25 bilhões de dólares. Como se percebe, uma War on Drugs fundamental para mantê-los como maiores consumidores do planeta.

A chamada indústria das drogas já passou por turbulências. Tudo, no entanto, sem deixar seus consumidores abstinentes e de narinas nervosas. As duas guerras do ópio travadas entre a China e o Reino Unido (1839-1842 e 1856-1860) não reduziram a oferta. Os cinco anos do fracassado Plan Colombia, iniciado por Bill Clinton e continua-do por George W. Bush, não tiveram o efeito anunciado. Apesar do derrame, por aviões da empresa privada DynCorp, do herbicida glifosato, produzido pela Monsanto, em áreas de cultivo de arbustos de coca, a Colômbia continua a ser a principal fornecedora de cloridrato de cocaína: 80% da cocaína consumida na Europa e nos EUA sai do país de Álvaro Uribe. A área de cultivo andino, encerrado o Plan Colombia, continuou igual, segundo demonstram fotos por satélite. Faz vinte anos que os produtores da região andina mantêm o plantio em uma área de 200 mil hectares.

Os resíduos de cocaína recentemente encontrados nas águas do Tâmisa e detectados na atmosfera de grandes centros europeus mostram a pujança desse mercado ilegal. Também revelam tratar-se de utopia a existência de uma sociedade sem consumo de drogas. A propósito, o Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu, em 2004, que o dinheiro originário do narcotráfico, depois de lavado, representa de 2% a 5% do PIB mundial. Como a oferta e o consumo cresceram após 2004, o estudo do FMI ainda guarda utilidade. Até porque as polícias, no mundo inteiro, ainda não conseguiram apreender mais de 5% do ofertado.

Na atual crise econômico-financeira, mexer com o mercado das drogas representaria um verdadeiro “tiro no pé”. Ou melhor, seria a receita ideal para alcançar mais rapidamente a bancarrota planetária. A respeito, já ouvi desabafos de financistas europeus do tipo: “Ainda bem que a War on Drugs não funciona”.

O certo é que os narcos devem estar sentindo segurança, pois molestá-los acarretaria riscos de queda de movimentação do capital sujo, substancioso para o sistema financeiro. Grande parte desse capital sujo é reciclada em atividades formalmente lícitas: a ‘NDrangheta, ou máfia calabresa, investiu pesadamente durante anos na compra de ações, como apurado pela Bolsa de Valores de Frankfurt. O turismo de Aruba (Antilhas Holandesas) só entrou no circuito internacional quando o crime organizado mafioso nele investiu e o transformou.

Como a droga sempre foi usada como bandeira para encobrir a defesa de interesses geopolíticos, geoestratégicos e geoeconômicos, despontam novos discursos, como o do governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, como ficará assinalado mais adiante.

A geoeconomia das drogas proibidas aponta, nos últimos quinze anos, para um alarmante crescimento de Estados que se tornaram dependentes das mesmas. Em outras palavras, e com relação à economia, Estados “drogadictos”, para usar a expressão reservada aos usuários com dependência. Marrocos, Gâmbia, Guiné Equatorial, Libéria, Colômbia, Bolívia, Afeganistão, México, Laos, Mianmar (antiga Birmânia), Tailândia, Vietnã e Camboja são alguns deles.

Diante da crise financeira, não errará quem sustentar ter sido mais importante a prisão do megafraudador Bernard Madoff do que a realização do desejo da secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, que preconizou um empenho binacional para a captura da mexicana Blanca Margarita Cázares, apelidada de a Imperatriz dos Narcos.

Blanca, de 54 anos, é a grande “lavadeira” de dinheiro sujo dos cartéis mexicanos e dos potentes cartelitos colombianos, segundo o Tesouro dos EUA. Ela se encontra foragida desde o anúncio da visita de Hillary Clinton ao México. Pelo que circula, os 007 trapalhões da DEA, agência norte-americana de combate às drogas, dão plantão, entre as cidades de Tijuana e Juárez, nas igrejas com imagens da Virgem de Guadalupe, santa de grande devoção de Blanca.

A economia movimentada pelas drogas, em tempos bicudos, vem despertando a atenção dos gestores públicos. Na Holanda, por exemplo, os oito administradores de cidades de fronteira tentam acalmar os eleitores incomodados com o “bate e volta” de alemães e belgas, que ingressam nas cidades para comprar maconha. Anualmente, 4 milhões fazem esse percurso do turismo da maconha. Como fechar os locais de venda resultaria em desastre financeiro, os “prefeitos” querem vincular, a partir de 2010, a venda de maconha mediante a apresentação de uma carteira de identificação, tudo na tentativa de acalmar os eleitores que se incomodam com as algazarras promovidas por estrangeiros.

Uma Califórnia quebrada e sem poder aumentar tributos levou o governador Schwarzenegger, um republicano que já apoiara Bush na War on Drugs, a reunir a imprensa no começo de maio. Ele precisava anunciar que havia chegado o momento de seu estado discutir a legalização da maconha para uso lúdico-recreativo. Pelos seus cálculos, a legalização da maconha para consumo recreativo permitiria, por meio de tributos, a arrecadação de 1,3 bilhão de dólares, o que poderia ajudar a salvar a lavoura. O rombo nas contas públicas do estado é estimado em 42 bilhões de dólares.

Schwarzenegger, na verdade, deu sinal verde para a bancada estadual republicana aprovar o projeto de lei apresentado, em abril passado, pelo deputado Tony Ammiano. O projeto equipara a maconha às bebidas alcoólicas e prevê dupla arrecadação: na concessão de alvará para cultivo e, posteriormente, na tributação relativa à comercialização. Cada onça (28 gramas) de maconha vendida geraria, consoante exposição de motivos do projeto Ammiano, arrecadação tributária de 50 dólares. A manifestação do governador empolgou Ammiano, que já fala que cada cigarro de maconha sairia para o consumidor a 1 dólar, “uma bagatela”, segundo o parlamentar.

A Califórnia tem um legislação que permite, mediante receita médica, a comercialização da maconha para fins terapêuticos. A venda oficial, nestes casos, permitiria ao estado da Califórnia arrecadar, anualmente, 200 milhões de dólares. Essa fatia de “arrecadação terapêutica” é também pretendida pelos estados de Minnesota, New Hampshire e Rhode Island, onde tramitam em regime de urgência iguais projetos legislativos. Na entrevista coletiva, Schwarzenegger frisou: “Estou aberto para avaliar qualquer ideia voltada para criar receitas extras. E penso ter chegado a hora de iniciar o debate sobre a legalização da maconha para consumo recreativo”.

A animação do governador da Califórnia contagiou o partido de esquerda da Alemanha, que também atravessa maus bocados com a crise financeira. Para a alemã Monika Knoche, porta-voz e responsável pela elaboração de projetos de lei sobre o fenômeno das drogas ilícitas, uma solução para enfrentar a crise alemã, que é a maior desde a reunificação do país, passa pela maneira de encarar o problema das drogas. E ela fez uma ressalva: “Legalização da maconha por razões exclusivamente econômicas”.

A proposta de Monika é um pouco diversa da do deputado californiano Ammiano, que pensou em outorga de concessões para a venda, como ocorrido na Itália com o sal e o tabaco. Monika defende a venda nas farmácias. “Em razão da crise atual, se a venda de cannabis fosse permitida com regras normativas bem estabelecidas, oxalá, e com as vendas realizadas em farmácias, o Estado poderia contar com novas entradas fiscais”, disse a alemã.

A legalização do mercado das drogas tornou-se atraente. Conservadores e moralistas, com bolsos afetados, talvez comecem a abrandar seus discursos e cheguem no victimless, ou seja, o usuário visto como vítima de si mesmo. Um indicativo de mudança apareceu na primeira entrevista de Gil Kerlikowske, o czar antidrogas do governo Barack Obama, que já teve o nome confirmado pelo Congresso. Para ele, a War on Drugs nunca deu certo. “Independentemente da maneira como se procura explicar às pessoas que o governo cuida de uma guerra contra as drogas e outras substâncias proibidas, os americanos percebem ser ela uma guerra contra as pessoas. E não devemos entrar em guerra com o povo deste país”, declarou o novo czar antidrogas dos EUA.

Só falta o presidente Obama revelar como será a política americana sobre drogas. Espera-se que não decepcione, como ocorreu no caso dos Conselhos Militares ad hoc, mantidos para julgamento de acusados de terrorismo.


Sobre drogas você pode ler também :  Terra Magazine
É verdade... As Igrejas deixaram de ser templos de adoração à Deus para se tornarem comercio nas mãos de pessoas sem escrúpulos que usam a boa fé das pessoas para tirar vantagens. Essa é uma entrevista dada a Época de um ex- bispo da igreja. Ele esclarece com riqueza de detalhes a maneira com a qual foi instruído para desenvolver o poder de extorquir o povo. Confira o vídeo no Youtube da "lição" dada por Edir Macedo a pastores da Bahia no intervalo de um jogo entre a cúpula da Igreja. http://www.youtube.com/watch?v=o0iQji3nhqk e abaixo a entrevista. Um ex-pastor da Igreja Universal do Reino de Deus relata como o bispo Edir Macedo o instruía a tirar dinheiro dos fiéis e a depositá-lo em contas no exterior Mariana Sanches, de Balneário Camboriú (SC) 18/09/2009 - 23:59 - Atualizado em 20/09/2009 - 12:50 A casa no bairro de Cascadura, Rio de Janeiro, onde Gustavo Alves da Rocha passou a infância ficava a cerca de 1 quilômetro de distância do local onde foi erguido o primeiro templo da Igreja Universal do Reino de Deus, há 32 anos. A vida de Gustavo e a de Edir Macedo, o líder da Universal, só se entrelaçaram, porém, quando os dois cruzaram o Oceano Atlântico. Em 1996, Gustavo, aos 16 anos, morava com sua tia em Londres. O bispo Macedo acabara de abrir sua primeira igreja na Inglaterra e precisava de um tecladista que animasse as reuniões dominicais. O tempo livre e o talento musical de Gustavo se encontraram com as ambições do bispo Macedo no número 232 da Seven Sisters Road, no bairro londrino de Finsbury Park. Era lá que ficava a primeira igreja da Universal em Londres, onde Gustavo foi empregado como tecladista. Três anos depois, Gustavo se tornou pastor da Universal em Nova York. Ele diz que era responsável por contar e fazer o depósito do dízimo recolhido nos 26 templos da Universal em Nova York. Diz ter sido instruído a se casar com a empregada doméstica do bispo Macedo, Jacira Aparecida da Silva, e conta que se mudou para a casa de Macedo, nos Estados Unidos, onde morou por quase três anos. Da sala da luxuosa casa do bispo, Gustavo afirma que assistia a Macedo orquestrar por rádio a expansão dos templos da igreja e dos negócios de comunicação, hoje alvos de investigação pelo Ministério Público. Gustavo diz ter ouvido o bispo Macedo instruir seus bispos a trocar dólares para ele em São Paulo, diz ter depositado dinheiro do dízimo em duas contas no exterior, uma delas em nome de um pastor americano amigo de Macedo, conhecido como Forrest Hills, e afirma que o dinheiro dos fiéis era usado para investimentos na TV Record. “Em 2003, fizemos com os fiéis de Nova York uma campanha para arrecadar US$ 1 milhão. Foi com esse dinheiro que a Record montou o estúdio em Manhattan”, diz. As ligações de Gustavo com a igreja são comprovadas por documentos como passaporte, contracheques e fotos. A TV Record negou as acusações. Em 2004, Gustavo foi demitido pelo bispo Macedo. Hoje, ele é considerado pelos promotores uma testemunha importante nos processos abertos contra o fundador da Universal. Seu depoimento poderá contribuir para confirmar as suspeitas de estelionato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha que recaem sobre o bispo Macedo e a cúpula da igreja e da Rede Record. Gustavo hoje trabalha de madrugada como taxista em Balneário Camboriú, Santa Catarina. Mora numa casa de quatro cômodos, alugada, que não guarda nenhuma semelhança com o luxo e o conforto que Gustavo diz ter experimentado em Nova York. Não tem mais o dinheiro que juntou enquanto era pastor. Desde que voltou ao Brasil, já morou em mais de cinco cidades. Aos 29 anos, diz ter dificuldade para arrumar emprego e afirma temer represálias de membros da Universal. Ele contou a história que viveu na igreja num depoimento de cinco horas concedido a ÉPOCA. Procurada por ÉPOCA, a Igreja Universal confirmou que Gustavo foi pastor da igreja, “desligado da obra por motivos de prática de conduta contrária aos bons costumes e à moral”. Disse que “a Igreja Universal, seus bispos e pastores fazem tudo dentro da maior legalidade” e negou que Gustavo tivesse sido instruído a se casar com uma mulher indicada pelo bispo Macedo e que tivesse morado na mesma casa que ele. A Universal negou ainda que Jacira Aparecida da Silva tivesse trabalhado como empregada doméstica para o bispo Macedo. A TV Record afirmou, também por e-mail, que não faz nenhuma transação com dinheiro oriundo da Universal: “Todos os salários dos funcionários da Rede Record são pagos pela emissora em conta-corrente dos beneficiários e todos os investimentos são pagos pela emissora com recursos próprios”. A seguir os principais trechos do depoimento do ex-pastor Gustavo Rocha. Como conheceu o bispo Edir Macedo “Eu nasci no Rio de Janeiro, mas quando tinha 12 anos fui morar com uma tia em Londres. Uma tarde eu estava passeando com minha tia pelas ruas de Finsbury Park e vi um teatro. Resolvemos entrar. Na porta estava escrito apenas Teatro Arco-Íris. Aí eu vi um piano e, como sempre tive paixão pela música, pedi para tocar um pouco. Quem veio até mim foi o Edir Macedo. Ele me pediu para que eu tocasse “Yesterday”, dos Beatles. Ele elogiou e me perguntou: ‘Você sabe tocar música gospel?’. Eu respondi que não, mas consegui acompanhar no piano quando ele colocou umas músicas gospel para tocar no rádio. Ele disse que precisavam de um tecladista e eu, que tinha 16 anos, aceitei tocar todos os domingos em troca de algo em torno de R$ 50. Depois de uns quatro meses, minha tia procurou Edir Macedo para dizer que eu voltaria ao Brasil. Daí Edir veio com uma proposta: ‘Não, a gente vai ajudá-lo. Se você permitir, nós queremos investir nele. A igreja se propõe a pagar uma escola para ele aqui na Inglaterra’. A igreja pagou para mim por dois anos uma escola de idiomas, a London Capital College. Eu passei a morar na igreja e não tinha salário.” A preparação para ser pastor “Quando fui morar na igreja, eu dividia um quarto com outros obreiros. Passei a tocar todos os dias, fazia a limpeza do templo, a evangelização, distribuía jornal da igreja de porta em porta. Eu não tinha dinheiro para ligar para minha família no Brasil, nem no Natal. Fiquei praticamente confinado. Minha tia deixou de me visitar, achou que eu estava fanático. Eles fizeram comigo um processo de preparação para ser um futuro pastor. Quando chegava alguém à igreja para pedir um conselho, o bispo Macedo me chamava: ‘Senta aqui do meu lado para você conhecer os problemas do povo e aprender a orientar as pessoas’. Foram dois anos sentado ao lado dele. Quando o fiel ia embora, ele perguntava: ‘Entendeu? Essa moça está com problema financeiro e está tão fragilizada que, se você disser Faça isso!, ela vai fazer. Você tem de despertar essa fé que está nela para que ela venha e traga uma oferta para a igreja’. Oferta significava dinheiro, mas no começo ele não falava muito a palavra ‘dinheiro’, para não me assustar. Dependia dele para ter roupas e comida. Aqueles que eram bispos tinham muito privilégio. Queria ter a vida que o bispo Macedo e outros bispos tinham, então eu me submetia a tudo o que mandavam. Cheguei a fazer um jejum e só beber água durante sete dias. Nesses dois anos não fui sequer uma vez ao médico. O bispo Macedo me dizia que eu tinha de usar minha fé para curar a gripe, a dor de cabeça. Fazia parte do processo de sacrifício.” Como a Universal se expande “Eu e Edir Macedo saíamos pelo menos duas vezes por semana para procurar um teatro, um galpão onde desse para abrir uma nova igreja. A gente olhava primeiro a vizinhança. Se tivesse outra igreja na região, não valia a pena investir. E olhávamos se o povo era pobre ou de classe média. Se a área fosse pobre, era mais interessante, a igreja cresce mais. O bispo Macedo dizia que gente pobre tem todo tipo de problema. Então, é fácil ter argumento para atrair essas pessoas. Se fosse um pessoal com mais dinheiro, ele já pensava duas ou três vezes se valia a pena investir, porque apenas uma minoria frequentaria a igreja. Quando o bairro era de classe média, o pastor tinha de falar bom inglês e ter cultura, porque colocar um pastor escandaloso, ignorante, não dava certo. Em Londres, presenciei a criação de duas igrejas. Uma foi em Brixton e a outra em Peckham. Os cultos eram em inglês, 2% ou 3% dos fiéis da igreja eram brasileiros, 2% ou 3 % eram britânicos, e o restante eram africanos e jamaicanos. Havia uma preferência por colocar um pastor negro, para que os fiéis se identificassem mais.” A escala em Portugal e a promoção “Depois de dois anos na Universal em Londres, meu visto de estudante venceu e não conseguimos renovar. Eu já estava com 18 anos. O bispo Macedo conversou comigo e disse que Deus estava me enviando para Portugal. Fiquei lá um mês e meio, morando em Lisboa, até que o bispo Macedo me avisou que ele iria me registrar como pastor da Universal e em 15 dias eu estaria em Nova York. Ele disse que não me deixaria em Portugal porque ele precisava de um pastor com bom inglês nos Estados Unidos. No dia 13 de maio de 1999, eu cheguei a Nova York. Eu passei a tocar piano na igreja principal, no Brooklyn. Depois de uns 15 dias, o bispo Macedo chegou a Nova York e me disse que eu não deveria ficar só tocando, passaria a pregar. Foi a primeira vez em que fui responsável por uma igreja, a igreja de Utica, no Brooklyn. E, como eu era um pastor registrado pela Universal, passei a ter um salário. Ganhava US$ 600 brutos por mês. Era pouco, mas não tinha despesa com água, luz, aluguel porque eu morava na igreja.” As metas e o método de arrecadação “Em Utica, em dois meses, a igreja encheu. Cabiam 70 pessoas. O bispo Macedo achou que tinha valido a pena investir em mim. Comecei a fazer programas de TV e de rádio para a igreja e a participar das reuniões de pastores e bispos. Nessas reuniões, Edir Macedo nos ensinava a atingir as metas que ele criava para cada igreja. E a meta era financeira. Não era de fiéis. No primeiro mês, a minha igreja rendeu US$ 3 mil. Daí o bispo Macedo me falou: ‘Olha, Gustavo, este mês fez US$ 3 mil. Então, se no mês que vem você conseguir arrecadar só US$ 2.900, eu tiro a igreja de você. Você vai se virar para fazer US$ 3.500, senão eu vou descontar do seu salário, você não vai mais participar das reuniões e vai voltar para o piano’.” “Fiquei tranquilo porque eu já tinha aprendido o trabalho. Ele me ensinou o seguinte: como era uma igreja pequena, primeiro eu tinha de fazer um atendimento corpo a corpo, conversar com cada um dos membros da igreja, visitar a casa, participar da vida. Eu levantava toda a vida da pessoa e determinava o dízimo. E eu ia colocando isso na cabeça das pessoas. Elas chegavam para me contar alguma coisa: ‘Pastor, fui viajar e bati meu carro’. Eu dizia: ‘A senhora está sendo fiel no seu dízimo?’. Ela dizia que não. Então eu falava que era por isso que ela tinha batido o carro. Óbvio que não tinha nada a ver, mas era uma questão de mexer com o psicológico, para que ela pensasse que as coisas ruins aconteciam por causa de um erro dela, e não por um erro da igreja ou um erro de Deus. Eu tinha de fazer aquela pessoa acreditar que o dízimo dela era uma coisa sagrada. Noventa e nove por cento das pessoas que vão à igreja, e isso eu ouvi do bispo Macedo, não vão para adorar a Deus. Vão para pedir, porque têm problemas no casamento, nas finanças, de saúde. Então o bispo falava: ‘Você chega para a pessoa e diz: Você está com problema financeiro, não está? Eu sei, eu estou vendo que sua vida financeira não está boa’. É muito fácil. Por serem pessoas humildes, elas estão mais propensas a certos problemas.” O sucesso “As minhas metas sempre eram alcançadas. Edir me dizia: ‘Agora a meta é US$ 4 mil’, eu fazia 4 mil. ‘Agora é US$ 5 mil’, eu fazia US$ 5 mil. E, a cada mês que eu alcançava minha meta, eu ganhava mais crédito, até o ponto de o bispo Macedo falar: ‘Você não é pastor para essa igreja, você é pastor para uma igreja melhor. Vou te colocar numa igreja maior, onde a meta já não é US$ 5 mil, a meta é US$ 30 mil’. Fiquei seis meses em Utica e fui para a igreja de Bedford. Vinham umas 400 pessoas, e a meta mensal era de US$ 25 mil. Alcancei todas as metas outra vez. Peguei a igreja com US$ 25 mil e deixei com quase US$ 40 mil de doações mensais. Aprendi a extorquir o povo, tenho até vergonha de falar. Uma vez coloquei uma piscina de plástico no altar por 15 dias, cheia de água. Disse que aquela era uma água do Rio Jordão, onde Jesus foi batizado. Eu dizia que as pessoas iam ser batizadas na mesma água que Jesus, desde que dessem uma oferta. E era água de torneira. Uma vez consegui fazer os fiéis doar três carros. Eles iam embora e me deixavam as chaves e o documento. A igreja vendia para fazer dinheiro. Entre os pastores, a conversa sempre era: ‘E aí, já pegou o mês?’. ‘Pegar o mês’ significava cumprir a meta. Eu chegava para um pastor que tinha uma igreja melhor que a minha e perguntava: ‘Já pegou o mês?’. ‘Já, fiz US$ 80 mil’, ele dizia. Eu respondia: ‘Olha, meu mês está em US$ 50 mil, mas vou fazer uma loucura, vou passar o teu mês e vou pegar tua igreja, hein?!’.” As gratificações “Quanto mais eu ganhava para a igreja, mais privilégios eu tinha. O meu pior carro foi um Toyota Corolla, era o primeiro carro de todo pastor. Do Corolla, passei para um Ford Focus, zero-quilômetro. Do Focus, tive um Honda Civic, do ano. Do Civic, fui para um Honda Accord. Nos Estados Unidos, morei em três casas diferentes. Conforme cumpria a meta, as casas aumentavam de tamanho, melhoravam de localização. O bispo Macedo pegava o relatório do mês, via a progressão de rendimentos e te perguntava: ‘Você está morando onde? E vai para a igreja com que carro? Faz o seguinte: fala com o bispo responsável para ele te mudar para tal casa’. Ele olhava em uma relação de pastores os bens que cada um estava usando e dizia: ‘Esse carro aí que você tem, dê para o pastor Álvaro e pega o carro do pastor Álvaro para você’. Era frequente essa troca de carros e casas entre os pastores. Como a gente não podia comprar mobília nem bens, só coisas pessoais, roupas, a mudança era bem rápida. Pastor não pode ter nada em seu nome, todos os carros que eu tive e casas em que morei estavam no nome da Universal.” O casamento arranjado “Em 2001, eu tinha 21 anos, era um pastor promissor e ainda era solteiro. Namorava havia dois anos uma americana que era obreira da igreja. Houve uma dessas reuniões de bispos e pastores e o Edir Macedo estava chamando a atenção de todo mundo. Ele olhou para mim: ‘Fica de pé. Você está namorando?’. Eu disse que sim. ‘Mas quem autorizou seu namoro? Está tudo errado. Você vai pegar o meu celular e vai ligar para sua namorada. Você vai dizer para ela que Deus não quer mais que vocês fiquem juntos.’ Eu fiquei indeciso, mas não teve jeito. Peguei o telefone, liguei para minha namorada no viva-voz e rompi com ela. Quando desliguei, ele disse para os pastores: ‘Estão vendo? A obra de Deus precisa de homens assim. Por você ter obedecido, vai ser abençoado agora. Você vai para o Brasil e vai conhecer uma mulher que Deus preparou para você. E você vai casar com ela. Você é um pastor da minha confiança, mas nela eu confio ainda mais do que em você, porque ela mora na minha casa, ela é minha empregada doméstica’. Embarquei para o Brasil no dia seguinte. Só conheci a Jacira no cartório. Dois dias depois, a gente casou no religioso. O bispo João Batista (ex-deputado federal) fez o casamento e pagou a lua de mel em Poços de Caldas (Minas Gerais). No dia em que partimos para a lua de mel, ele disse: ‘Gasta à vontade, porque quem está pagando isso é o povo. Não tem limite, fica tranquilo’.” “Depois que voltei da lua de mel, passamos 15 dias na casa do João Batista, até que o visto da Jacira saísse. Era um apartamento por andar, com oito quartos. O João Batista guardava uma boa quantidade de dinheiro no escritório, notas de dólar e real. A Jacira me disse que estava acostumada a ver aquilo na casa dos bispos. Quando voltei aos Estados Unidos levando a Jacira, o bispo Macedo me disse: ‘Que bom que deu tudo certo. O visto dela já tinha sido negado antes, mas você conseguiu trazê-la’. O casamento garantiu a entrada da empregada doméstica dele nos Estados Unidos.” A vasectomia “Logo depois que eu casei, o bispo Macedo me obrigou a fazer vasectomia. Ele justificava dizendo que um filho traria despesas e dificuldades para que eu fizesse a obra de Deus, já que com filho era mais difícil mudar de país. Ele dizia que a saída era, quando eu me tornasse um bispo, adotar, seguir o exemplo dele, dos genros dele, Renato Cardoso e Júlio Freitas. Os três primeiros médicos que procurei se recusaram a me operar. Eu tinha 21 anos e nenhum filho. O quarto topou, mas me disse que não recomendava. Fiz uma vasectomia irreversível. Enquanto eu estava nos Estados Unidos, dos 26 pastores que trabalhavam em Nova York, outros sete também fizeram. Se você não faz a vasectomia, perde a chance de crescer e chegar a bispo, vai ser só mais um pastor que fica 15 anos na mesma igreja e não sai do lugar.” Na casa do bispo “Quando cheguei a Nova York com a Jacira, Edir Macedo e a mulher dele, a Ester, quiseram que ela fosse morar com eles. Eu era casado com ela. Daí eles me disseram: ‘Faz o seguinte. Pega um quarto aí e mora aqui com a gente’. Passei a morar no dúplex do Edir Macedo. Na casa dele, ouvi as conversas da cúpula da igreja. Era comum diálogos em que o bispo Macedo dizia: ‘Romualdo, como é que foi a campanha da Fogueira Santa aí no Brasil?’. E o bispo Romualdo Panceiro (outro dos auxiliares de confiança do bispo Macedo) dizia: ‘Olha, bispo, não foi muito boa não, deu só R$ 18 milhões’. Dinheiro na casa de Edir Macedo não era problema. Dirigia os carros dele, umas Mercedes antigas e superluxuosas. No dia a dia, ele não é religioso. A mulher de Edir Macedo, a Ester, tinha dentro de casa uma clínica de estética, com aparelhos de última geração. Quanto se gastava na casa do bispo Macedo era uma coisa que nem se fazia um cálculo, porque não precisava. Os outros bispos também viviam muito bem. Como os pastores, eles também tinham um contracheque bem baixo, mas era só fachada, para mostrar em caso de investigação. Mas o salário que vinha por fora era muito maior. Eu já presenciei durante a contagem da oferta os bispos dividirem o dinheiro entre si, esse ou aquele bispo tirar US$ 10 mil de uma oferta de US$ 50 mil. Eu também ganhava coisa por fora. Quando trabalhei com alguns bispos e a oferta era muito boa, o próprio bispo dizia para eu pegar um dinheiro para mim. Quando saí da igreja, eu tinha uns US$ 15 mil na conta que eu tinha tirado das doações dos fiéis.” Os negócios da Record “Eu posso dizer que a Record e a Universal são uma coisa só. Era comum eu ouvir o bispo Macedo falando em casa com o presidente da Record, Honorilton Gonçalves, pelo radinho: ‘Ô, Gonçalves, você fez aquele depósito, contratou tal artista, tal jornalista?’. Para pagar funcionários, despesas de programas televisivos, o Edir Macedo pedia para o Romualdo Panceiro tirar o dinheiro da conta da igreja para passar para a conta da Record. De tempos em tempos, o Gonçalves e o Romualdo diziam: ‘Edir, o negócio aqui está complicado, o cerco está bem apertado. A investigação está andando aqui, eles estão fiscalizando’. O Edir dizia: ‘Vocês têm de fazer alguma coisa, tira o dinheiro da conta da igreja e faz a contratação em dinheiro vivo’. Sempre em dinheiro vivo. Eu me lembro de quando foi montado o estúdio da Record em Nova York, em 2003. O bispo Macedo diz que foi gasto US$ 1 milhão. Ele fez uma reunião com os pastores da igreja e disse: ‘Precisamos levantar US$ 1 milhão. Vamos fazer uma campanha, e todas as igrejas precisam atingir uma meta’. Daí, ele já dividiu ali quanto cada uma teria de obter. Era a campanha das Muralhas de Jericó. Conseguimos mais de US$ 1 milhão, e foi com esse dinheiro que comprou os equipamentos para a TV.” As contas no exterior “Todo domingo à noite eu e alguns outros pastores éramos responsáveis por abrir os envelopes de dízimo e oferta e contar o dinheiro arrecadado pelas 26 igrejas de Nova York. Cada pastor guardava no cofre de sua igreja a oferta da segunda-feira até a última reunião do domingo. Daí levava tudo até a sede, no Brooklyn, para a contagem. Na segunda-feira de manhã, nós íamos ao banco fazer o depósito desse valor. O banco era o Chase Manhattan Bank. A matriz ficava a 300 metros da igreja. A quantia variava. Quando tinha uma campanha da Fogueira Santa de Israel, eu depositava tranquilamente US$ 1 milhão nesse banco por semana. Os depósitos eram feitos em duas contas. Uma no nome da Igreja Universal e a outra no nome de Forrest Higginbotham, um pastor americano que todo mundo conhecia como Forrest Hills. Ele pertencia a outra igreja, mas era uma pessoa de confiança do Edir Macedo. Foi o Forrest Hills quem ajudou a Universal a entrar nos Estados Unidos.” “Lá nos Estados Unidos, eu também ouvi o Edir Macedo comentar umas quatro ou cinco vezes da necessidade de trocar dólares no Brasil, em São Paulo. Mas era uma tarefa que ele mesmo fazia ou passava para gente de muita confiança dele. Eles embarcavam no avião com o dinheiro e trocavam. Nunca soube quem eram os doleiros, mas posso te falar que os bispos que faziam esse serviço para ele eram os genros, o bispo Júlio Freitas, o bispo Renato Cardoso, o bispo Clodomir Santos e o bispo Romualdo Panceiro. Toda vez que eu ouvia falar em troca de dólar, era com esses bispos e o João Batista. O João Batista era com a maior frequência. O João Batista era, na gíria, a mula. Era ele quem levava, que trazia no avião, que fazia a transação, a troca. E, depois que ele fazia, ele levava nas mãos do Romualdo, do Clodomir. E com esses mesmos bispos, de altíssima confiança, o Edir costuma fazer umas reuniões na Suíça, em Zurique.” A derrocada “Uns quatro meses depois de fazer a vasectomia, comecei a ter problemas com a cirurgia. Descobri que o médico que me operou acabou cortando uma veia que não deveria ter sido cortada. Tive uma espécie de trombose nos testículos. Tive de usar um dreno e fui afastado pelo médico da pregação, mas o bispo Macedo me mandava trabalhar mesmo assim, usar a fé para me curar. Tive de fazer mais três cirurgias. O bispo Macedo dizia que eu devia estar endiabrado, que eu estava recebendo salário da igreja para não fazer nada. A pressão para que eu voltasse a trabalhar era tanta que tive de mostrar ao bispo Macedo todos os papéis, exames, porque ele não acreditava que eu realmente estava doente. Quando ele viu os laudos médicos, notou que tinha havido um erro. Foi logo me dizendo que um processo daria uma indenização milionária.” “Procurei um advogado, que me disse que era uma causa ganha e que o processo duraria um ano e meio e deveria render por volta de US$ 500 mil. Quando o Edir soube que eu procurei outro advogado e não o da igreja, ele ficou bravo. Disse que eu tinha de procurar o advogado da Universal para abrir o processo e que deveria passar uma procuração para ele, porque o dinheiro que viesse deveria ser dado para a igreja, para a obra de Deus. Eu me recusei, disse que precisaria do dinheiro, que teria de me tratar. E aí começou uma pressão, e eu resolvi desistir do processo e fazer um acordo de US$ 65 mil com o médico. No mesmo dia em que assinei o acordo, o dinheiro já estava na minha conta. Quando contei ao bispo Macedo, ele começou a gritar comigo, dizer que eu era maluco, perguntou onde estava o dinheiro. Eu disse que estava na minha conta. Ele me mandou ir ao banco na mesma hora, sacar o dinheiro e depositar na conta da igreja. Eu me recusei. E aí ele me disse que eu estava fora: ‘A partir de hoje, você não é mais pastor da Igreja Universal. Você vai embora para o Brasil e não procure mais a igreja’. Isso foi em julho de 2004. E eu, doente, com quatro cirurgias feitas, fui mandado embora sem receber um dólar da igreja, depois de cinco anos de trabalho na igreja. Nunca tive férias, não tinha dia de folga certo. Eu me senti usado.” “Voltei para o Brasil, me separei da Jacira um ano depois. Eu sofri por ter entrado na igreja muito jovem, abandonei a família, não terminei os estudos. Eu não tinha amigos que não fossem pastores ou bispos, não sabia o que era lutar por um emprego, não sabia quanto era um aluguel. Perdi tudo. Eu sempre me lembro da frase que o bispo Macedo costumava me falar: ‘Se você sair da igreja um dia, todos esses demônios que você expulsou nestes anos vão voltar para sua vida’.”
Este vídeo revela o lado obscuro da vaidade desmedida. Temática bem interessante.

Oi gente! Como eu ando meio CDF(obrigatoriamente) esses tempos eu resolvi compartilhar com vocês tudo de interessante que eu lê e todas as resenhas e textos que escrever. Nada pessoal, sempre assuntos relacionados ao cotidiano e a atual situação brasileira. Bem, hoje eu começo com um texto que eu li na Revista Carta Capital. É sobre um comentário(bem grosseiro por sinal) do atual governador do MS sobre a política limitadora ao cultivo de cana-de-açúcar em terras sul-matogrossenses adotadas pelo atual ministro do meio ambiente. Confiram . O governador das cavernas -25/09/2009 12:20:38 Na história recente do País, são raros os lances edificantes nas discussões públicas entre ambientalistas e lideranças ligadas ao agronegócio. Não é raro o debate descambar para ataques pessoais despropositados. O episódio protagonizado na segunda-feira 21 pelo governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), contudo, atingiu o fundo do poço. Além de chamar o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, de “veado fumador de maconha”, o governador acrescentou que, caso o encontrasse pelas ruas da cidade, o “estupraria em praça pública”. Os comentários foram feitos quando Puccinelli falava a empresários em Campo Grande, capital do estado, e criticava o zoneamento do cultivo de cana-de-açúcar no território nacional, decidido pelo governo federal recentemente. Quem conhece o governador, no entanto, não se surpreendeu. Em seu currículo constam outros dois episódios igualmente lamentáveis. Em abril, Puccinelli disse ter levado “várias vezes os petistas para o motel, para o motel eleitoral”, insinuando que alguns o criticariam apenas em público. Em outra ocasião, sugeriu aos PMs que atirassem em bandidos “para matar”. No ataque a Minc, Puccinelli escancarou não apenas o seu preconceito rancoroso, mas certa tradição nacional de considerar os crimes sexuais como menos graves. Quem não se lembra da frase do ex-governador paulista Paulo Maluf, “estupra, mas não mata”? Diante do comentário pusilânime, o ministro Minc reagiu igualmente com o fígado. Com referências às teorias freudianas do inconsciente, sugeriu ao governador que “saísse do armário com tranquilidade”, assumindo o que seriam instintos homossexuais reprimidos, os quais, na leitura que o ministro faz de Freud, explicariam tamanha truculência. Além de constranger a parcela esclarecida da população sul-mato-grossense, Puccinelli e seus comentários engrossaram a voga homofóbica, que no ano passado resultou no assassinato de 190 cidadãos no País, de acordo com a ONG Grupo Gay da Bahia. Na quarta-feira 23, Puccinelli divulgou um comunicado, pedindo desculpas e lamentando “a conotação de ofensa dos seus comentários”. Não convenceu.

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