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Olá pessoal !!
Esse tempos eu desembestei a escarranfunchar os diferentes dialetos usados por diferentes sexos e desta vez eu estou atacando de dialeto regional. Todo mundo sabe que cada região do país tem sua linguagem própria. Para fazer jus à expressão "Brasis", o que de fato ocorre. Apesar da grande mistura de povos, jeitos, cores, ritmos e sabores que o Brasil harmoniza de um jeito tão sublime cada região tem uma cultura mais explicita, tradicional, típica, nativa.
Hoje, eu vou mostrar um pouco da região nordeste, depois eu posto uma sobre dialetos tipicamente baianos. Mas muitos dos mostrados aqui, sinceramente, são muito comuns em terras baianas, inclusive falados por mim.
Divirtam-se...


Nordestinês






Nordestino não fica solteiro,ele fica "solto na bagaceira!
Nordestino não vai embora, ele "pegar o beco!"
Nordestino não diz 'concordo com você', Ele diz:
issssso, homi!!!!
Nordestino não conserta, ele "imenda!"(kk)
Nordestino quando se empolga, fica com a "mulesta dos cachorros!"
Nordestino não olha, ele ¨espia¨!
Nordestino não bate, ele 'senta-le' a mãozada!
Nordestino não bebe um drink, ele "toma uma!"
Nordestino não é sortudo, ele é "cagado!"
Nordestino não corre, ele "dá uma carreira!"
Nordestino não malha dos outros, ele "manga!" ( malha? de onde é esse dialeto?haha)(Português: Tira o sarro, caçoa)^^

Nordestino não conversa, ele "resenha!"
Nordestino não toma água com açúcar, ele toma "garapa!"(pra acalmar!)
Nordestino não mente, ele dá "migué"
Nordestino não percebe, ele "dá fé!"
Nordestino não sai apressado, ele sai "desembestado!"
Nordestino não aperta, ele "arroxa!"(arroxa que o negócio é bão!)
Nordestino não dá volta,ele "arrudeia!" e faz "balão"(kk Balão? deve ser no N do NE)^^

Nordestino não espera um minuto, ele espera um "bucadinho"
Nordestino não é distraído, ele é "leso!"
Nordestino não se irrita, ele se "reta!!"
Nordestino não fica com vergonha, ele fica encabulado, todo errado!
Nordestino não passa a roupa, ele "engoma"! ( esse não é comum por aki..)

Nordestino não houve barulho, ele ouve "zuada!"
Nordestino não acompanha casal de namorados, ele "segura vela!"
Nordestino não rega as plantas, ele 'agoa'.
Nordestino não quebra algo, ele "tora!"
Nordestino não é esperto, ele é "desenrolado!"
Nordestino não é rico, ele é um cabra "estribado!"
Nordestino não é homem, ele é "macho!"
Nordestino não é gay,ele é "bicha"!
Nordestino não pede almoço, ele pede o "rango"
Nordestino não lancha, "merenda!"
Nordestino não fica satisfeito quando come, ele "enche o bucho!"
Nordestino não dá bronca, dá "carão!"
Nordestino quando não casa, ele fica "amigado" "amarrado"

Nordestino não tem diarréia, tem "caganeira!"
Nordestino não tem mau cheiro nas axilas, ele tem "suvaqueira!"
Nordestino não tem perna fina, ele tem "cambitos!"
Nordestino não é mulherengo, ele é "raparigueiro!"
Nordestino não joga fora, ele "avôa no mato"!
Nordestino não vigia as coisas, ele "fica tucaiando"
Nordestino não se dá mal, "se lasca todinho!"
Nordestino quando se espanta não diz: - Xiiii! Ele diz: Viiixi Maria! Aff maria!
Nordestino não vê coisas de outro mundo, ele vê "malassombros!"
Nordestino não é chato, é "cabuloso"
Nordestino não é cheio de frescura, é cheio de "pantim!" ( pantim?)

Nordestino não pula, "dá pinote!"
Nordestino não briga, "arenga!" ( arenga? hahaha, essa nem eu conhecia)

Nordestina não fica grávida, fica "buxuda!"
Nordestino não fica bravo, fica com a "gota serena!"
Nordestino não é corajoso, é "cabra de pêia!"
Nordestino não fica apaixonado, ele "arrêia os quatro pneus e mais o stap"
Nordestino não fica, ele "dá uns pegas"
Nordestino não passeia, ele "dá um rolé"
Nordestino não anda rápido, ele anda "ligero"


Em breve mais curiosidades vocabulares das regiões desse Brasil grande de meu Deus! E na sua região,estado ou cidade, como vcs dizem as mesmas coisas? Vamos mostrar a riqueza do português desenvolvido aqui..
Olá pessoal!!!
Hoje eu veio trazer ao vosso conhecimento ( ou não) uma bela história sobre o valor de pequenas atitudes. O quanto pode ser importante uma atitude que para você não fez muita diferença mas que para alguém foi de uma importância incomensúrável...
Gostaria de aproveitar a oportunidade para dizer aos meus velhos e novos amigos que vocês são muito importante para mim. Obrigada por cada pedacinho que deixam de si permitindo que eu me torne uma pessoa melhor.

Acompanhe a seguinte história, é longa mas vai valer a pena...





Amigos a gente nunca esquece!!!!


Um dia, quando eu era calouro na escola, vi um garoto de minha sala caminhando para casa depois da aula.

Seu nome era Kyle.
Parecia que ele estava carregando todos os seus livros.

Eu pensei:

'Por que alguém iria levar para casa todos os seus livros numa Sexta-Feira? Ele deve ser mesmo um C.D.F'!

O meu final de semana estava planejado (festas e um jogo de futebol com meus amigos Sábado à tarde), então dei de ombros e segui o meu caminho..

Conforme ia caminhando, vi um grupo de garotos correndo em direção a Kyle.

Eles o atropelaram, arrancando todos os livros de seus braços, empurrando-o de forma que ele caiu no chão.

Seus óculos voaram e eu os vi aterrissarem na grama há alguns metros de onde ele estava. Kyle ergueu o rosto e eu vi uma terrível tristeza em seus olhos.

Meu coração penalizou-se! Corri até o colega, enquanto ele engatinhava procurando por seus óculos.

Pude ver uma lágrima em seus olhos. Enquanto eu lhe entregava os óculos, disse: 'Aqueles caras são uns idiotas! Eles realmente deviam arrumar uma vida própria'. Kyle olhou-me nos olhos e disse: 'Hei, obrigado'!

Havia um grande sorriso em sua face.. Era um daqueles sorrisos que realmente mostram gratidão. Eu o ajudei a apanhar seus livros e perguntei onde ele morava.

Por coincidência ele morava perto da minha casa, mas não havíamos nos visto antes, porque ele freqüentava uma escola particular.

Conversamos por todo o caminho de volta para casa e eu carreguei seus livros. Ele se revelou um garoto bem legal.

Perguntei se ele queria jogar futebol no Sábado comigo e meus amigos. Ele disse que sim. Ficamos juntos por todo o final de semana e quanto mais eu conhecia Kyle, mais gostava dele.

Meus amigos pensavam da mesma forma.

Chegou a Segunda-Feira e lá estava o Kyle com aquela quantidade imensa de livros outra vez! Eu o parei e disse:

'Diabos, rapaz, você vai ficar realmente musculoso carregando essa pilha de livros assim todos os dias!'.

Ele simplesmente riu e me entregou metade dos livros. Nos quatro anos seguintes, Kyle e eu nos tornamos mais amigos, mais unidos. Quando estávamos nos formando começamos a pensar em Faculdade.

Kyle decidiu ir para Georgetown e eu para a Duke. Eu sabia que seríamos sempre amigos, que a distância nunca seria problema. Ele seria médico e eu ia tentar uma bolsa escolar no time de futebol. Kyle era o orador oficial de nossa turma. Eu o provocava o tempo todo sobre ele ser um C..D.F.

Ele teve que preparar um discurso de formatura e eu estava super contente por não ser eu quem deveria subir no palanque e discursar.

No dia da Formatura Kyle estava ótimo.

Era um daqueles caras que realmente se encontram durante a escola.
Estava mais encorpado e realmente tinha uma boa aparência, mesmo usando óculos.

Ele saía com mais garotas do que eu e todas as meninas o adoravam!
Às vezes eu até ficava com inveja.

Hoje era um daqueles dias. Eu podia ver o quanto ele estava nervoso sobre o discurso. Então, dei-lhe um tapinha nas costas e disse: 'Ei, garotão, você vai se sair bem!'

Ele olhou para mim com aquele olhar de gratidão, sorriu e disse:

-'Valeu'!

Quando ele subiu no oratório, limpou a garganta e começou o discurso:

'A Formatura é uma época para agradecermos àqueles que nos ajudaram durante estes anos duros. Seus pais, professores, irmãos, talvez até um treinador, mas principalmente aos seus amigos. Eu estou aqui para lhes dizer que ser um amigo para alguém, é o melhor presente que você pode lhes dar. Vou contar-lhes uma história:'

Eu olhei para o meu amigo sem conseguir acreditar enquanto ele contava a história sobre o primeiro dia em que nos conhecemos. Ele havia planejado se matar naquele final de semana! Contou a todos como havia esvaziado seu armário na escola, para que sua Mãe não tivesse que fazer isso depois que ele morresse e estava levando todas as suas coisas para casa..

Ele olhou diretamente nos meus olhos e deu um pequeno sorriso.

'Felizmente, meu amigo me salvou de fazer algo inominável!' Eu observava o nó na garganta de todos na platéia enquanto aquele rapaz popular e bonito contava a todos sobre aquele seu momento de fraqueza.

Vi sua mãe e seu pai olhando para mim e sorrindo com a mesma gratidão.

Até aquele momento eu jamais havia me dado conta da profundidade do sorriso que ele me deu naquele dia.

Nunca subestime o poder de suas ações. Com um pequeno gesto você pode mudar a vida de uma pessoa. Para melhor ou para pior.

Deus nos coloca na vida dos outros para que tenhamos um impacto, uns sobre o outro de alguma forma.
Olá leitores,
Esse post tem como objetivo dá uma leveza a esse blog que trata sempre de problemas que nos entristecem..
Esse microdicionário foi-me enviado por um amigo por e-mail. Achei engraçado e muitas das coisas escritas aqui realmente são verdade e por isso resolvi compartilhá-lo com vocês. Na verdade para DIVERTIR as meninas e ADVERTIR os meninos ( hahaha). ^^
Para quem prefere os conteúdos mais sérios podem ler as outras postagens e esperar as próximas que estão sendo planejadas pera o meio desta semana.
Até lá então. Fiquem agora com as ...


. Expressões Femininas


1 - "Certo": Esta é a palavra que as mulheres usam para encerrar uma discussão quando elas estão certas e você precisa se calar.

2 - "5 minutos":
Se ela está se arrumando significa meia hora. "5 minutos" só são cinco minutos se esse for o prazo que ela te deu para ver o futebol antes de ajudar nas tarefas domésticas.

3 - "Nada":
Esta é a calmaria antes da tempestade. Significa que ALGO está acontecendo e que você deve ficar atento. Discussões que começam em "Nada" normalmente terminam em "Certo".

4 - "Você que sabe":
É um desafio, não uma permissão. Ela está te desafiando, e nessa hora você tem que saber o que ela quer...e não diga que também não sabe!

5 - Suspiro ALTO:
Não é realmente uma palavra, é uma declaração não-verbal que frequentemente confunde
os homens. Um suspiro alto significa que ela pensa que você é um idiota e que ela está imaginando porque ela está perdendo tempo parada ali discutindo com você sobre "Nada".

6 - "Tudo bem":
Uma das mais perigosas expressões ditas por uma mulher. "Tudo bem" significa que ela quer pensar muito bem antes de decidir como e quando você vai pagar por sua mancada.

7 - "Obrigada":
Uma mulher está agradecendo, não questione, nem desmaie. Apenas diga "por nada". (Uma colocação pessoal: é verdade, a menos que ela diga "MUITO obrigada" - isso é PURO SARCASMO e ela não está agradecendo por coisa nenhuma. Nesse caso, NÃO diga "por nada". Isso apenas provocará o "Esquece").

8 - "Esquece":
É uma mulher dizendo "FODA-SE !!"

9 - "Deixa pra lá, EU resolvo":
Outra expressão perigosa, significando que uma mulher disse várias vezes para um homem fazer algo, mas agora está fazendo ela mesma. Isso resultará no homem perguntando "o que aconteceu?". Para a resposta da mulher, consulte o item 3.

10 - "Precisamos conversar !":
Fodeu !!, você está a 30 segundos de levar um pé na bunda.

11 - "Sabe, eu estive pensando...":
Esta expressão até parece inofensiva, mas usualmente precede os Quatro Cavaleiros do Apocalipse...


Gostaria de deixar explicíto que não são apenas as mulheres que desenvolvem vocábulário próprio.. Conheço alguém que também usa esse tipo de expressão para dizer, ou não dizer, algumas coisas.. No momento estou em estudo para decodificá-lo.
^^
Será que você não está sendo como o Meow? O que você acha que há de mais persuasivo atualmente? Ceder quer dizer necessariamente perda de identidade ou adaptação incorporada? Reflitamos...

Esta divertida crônica de Luis Fernando Verríssimo mostra de maneira satírica como é tratado o cidadão que precisa do serviço da polícia.

APRENDA A CHAMAR A POLÍCIA

Eu tenho o sono muito leve, e numa noite dessas notei que havia alguém
andando sorrateiramente no quintal de casa.

Levantei em silêncio e fiquei acompanhando os leves ruídos que vinham
lá de fora, até ver uma silhueta passando pela janela do banheiro.

Como minha casa era muito segura, com grades nas janelas e trancas
internas nas portas, não fiquei muito preocupado, mas era claro que eu
não ia deixar um ladrão ali, espiando tranqüilamente.

Liguei baixinho para a polícia, informei a situação e o meu endereço.
Perguntaram-me se o ladrão estava armado ou se já estava no interior da casa.

Esclareci que não e disseram-me que não havia nenhuma viatura por
perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse
possível.

Um minuto depois liguei de novo e disse com a voz calma:

-Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal. Não
precisa mais ter pressa. Eu já matei o ladrão com um tiro da escopeta
calibre 12, que tenho guardada em casa para estas situações. O tiro
fez um estrago danado no cara!

Passados menos de três minutos, estavam na minha rua cinco carros da
polícia, um helicóptero, uma unidade do resgate, uma equipe de TV e a
turma dos direitos humanos, que não perderiam isso por nada neste
mundo.

Eles prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara
de assombrado.
Talvez ele estivesse pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia.

No meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse:
-Pensei que tivesse dito que tinha matado o ladrão.

Eu respondi:
- Pensei que tivesse dito que não havia nenhuma viatura disponível.


Luiz Fernando Veríssimo
É leitores, não é atrás do poder de Deus que as igrejas andam empenhando seu preciosissimo tempo...

Esta imbricação dada pela combinação Igreja + Estado não é nenhuma invenção atual. Atual é a quebra do monopólio da Igreja Católica Apostólica Romana, percussora de tal proeza. Esta união foi bem frequente na idade média e ao que tudo indica está sendo resgatada com todo furor pelas atuais igrejas evangélicas, principalmente as pentecostais.
Eles se deram conta que o controle exercido apenas sobre seus fiéis não é suficiente para influenciar em grandes decisões, então resolveram se apossar de meios que lhes permitam submeter indistintamente toda a população. E como eles pretendem fazer isso? Bem, listarei abaixo as etapas desse ambicioso projeto.
1) A compra de horários em tvs. Com a posse de um meio de comunicação de massa pretendem "evangelizar", ou melhor dizendo recrutar, mais fiéis ( na verdade financiadores, ou na linguagem usada pelos próprios : colaboradores) para aumentar a sua arrecadação e assim ter acesso a melhores e mais longos horários( logo mais caros)- isso quando não têm poder aquisitivo suficiente para comprar a emissora por inteira- na programação e ampliar seu poder de recrutamento o que significa a expansão do número de "colaboradores" que serão convertidos em eleitores como apontarei na sequência.

2) Com sua "caixinha" bem abastecida, e em processo de expansão, e seu horário na tv em horário de razoável audiência, eles iniciam a apresentação de futuros candidatos ( ainda não declarados) à cargos políticos. Com essa apresentação antecipada esperam que o candidato passe de um desconhecido a uma pessoa da confiança dos fiéis o que oferece a sensação de segurança e familiaridade, além da impressão de representação( sem falar que a ideia de estar envolvido com religiosidade se têm a falsa impressão de se tratar de uma pessoa honesta)de seus interesses, o que na verdade é o reflexo dos interesses dos poderosos religiosos que difundiram-los através dos seus meios de comunicação de massa, transmitidos em forma de juízo de valor, o que é bem eficaz, durante as suas pregações intencionalmente dirigidas para este fim: persuadir e convencer.

3) Então, enfim, são apresentados oficialmente e em posse desses votos, pelos motivos citados anteriomente, são eleitos. Empossados nos cargos legislativos defenderão os interesses de quem possibilitou a sua eleição. Com o poder de produzir leis, vetar umas, aprovar outras de acordo com suas conveniências, aumentam o seu poder diante da população abandonando as restrições que a fé lhes impunha, estendendo a sua vigilância. Agora seu controle não está assentado apenas sobre os fiéis, mas sobre toda uma cidade, estado, ou nação. Controle este permitido pelo poder de elaborar, recusar, boicotar, ou aprovar estas mesmas leis que devem ser observadas por todos indistintamente da religião ou fé que professam.

Se teme, e provavelmente irá ocorrer caso aconteça esta invasão religiosa na política, um retrocesso nas liberdades civis. As decisões irão tomar carater mais conservador.Tudo indica que isso irá causar um retrocesso em votações de alguns direitos civis mais polêmicos tais como descriminalização do aborto, da maconha, da união, tal como, dos processos de adoção por homossexuais, pesquisas com células tronco, entre outros, abertamente rejeitada por esses grupos. Com certeza a discussão política irá ficar mais hipócrita desobedecendo a tendência mundial.
O plano está indo "de vento em polpa", como pode ser constatado pelo atual escândalo envolvendo a TV Record, o que preocupa a população mais esclarecida. Mas a única forma de combater os braços desse polvo que insiste em abraçar as telecomunicações é apelar para as leis que impedem essa expansão religiosa nos canais e emissoras de rádio, antes que eles possam chegar lá em número suficiente para barrá-las e permitir que tudo fique "do jeito que o diabo gosta".
As congregações encontraram um amplificador do seu poder: as telecomunicações. Mas é importante frisar que não é apenas as igrejas que usam as telecomunicações para manipular os telespectadores. A diferença está nos recursos nas quais as emissoras comuns são bem mais discretas e não usam a fé das pessoas como meio de atingir seus interesses. Se sem a ajuda em massa das tvs e rádios eles conseguem recrutar tanta gente, imagina com esse poder destrutivo, se mal usado, em mãos! Vamos torcer para que o país e os brasileiros não saiam perdendo no meio dessa briga. Quando será que vamos aprender a diferenciar opção religiosa particular dos interesses públicos? Espero que não esperemos muito para ver isso acontecer. Que mania de querer que todo mundo pense igual, faça igual, seja igual! Essa solidariedade mecânica Durkhieminiana ainda me mata..



Abaixo está a matéria publicada em Carta Capital. Exponho-na para que após a leitura você possa tirar suas próprias conclusões. Além de haver nela algumas informações não comentadas aqui.

http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=8&i=5250
Inicialmente se faz necessária a retomada de alguns conhecimentos e uma reflexão a respeito do Estado. O nome Estado ficou "famoso" principalmente através de Maquiavel em sua obra "O Príncipe". Apesar de ter se tornado amplamente conhecido atráves da obra citada,ninguém sabe ao certo quando Estado ( do latin status) deixou de indicar situação para se tornar condição de posse permanente e exclusiva de um território e de comando sobre seus respectivos habitantes, mas é sabido que não é criação de Maquiavel.
Agora, abandonemos a história e iniciemos uma análise política do conceito. O Estado exige o monopólio da força física. Mas um Estado não se sustenta apenas da coerção. Para que esse poder seja justificado existe muitas teorias que, para que não ocorra o prolongamento da conversa, não vêm ao caso neste momento. Para um Estado ser eficaz e duradouro há de se ocupar em legitimar o seu poder. A legitimação nada mais é do que um consenso, mesmo que ilusório, do povo. É a justificação moral para que haja a obediência por parte dos governados, muitas vezes estabelecido através do tão famoso Contrato Social. Segundo ele o Estado tem a obrigação de assegurar a vida humana em sociedade, garantindo a segurança. O Estado deve garantir a ordem interna, assegurar a soberania na ordem internacional, elaborar as regras de conduta, distribuir a justiça. Sem o cumprimento da sua parte no contrato o Estado corre o risco de causar no cidadão a sensação de que a legitimidade do seu poder está sendo solapada e este ser obrigado a usar a força como único meio de garantir a obediência o que não é saudável para a manutenção pacifíca do Estado.
Uma citação interessante de Santo Agostino nos elucida a esse respeito: " Sem a justiça, oq eu seriam de fato os reinos senão um bando de ladrões?"
Ou as trocas de farpas entre Alexandre e o pirata:
" Tendo-lhes perguntado o rei por qual motivo infestava o mar, o pirata respondeu com audaciosa liberdade: 'Pelo mesmo motivo pelo qual infestais a terra; mas como eu faço com um pequeno navio sou chamado pirata, enquanto tu, por fazê-lo com uma grande frota, és chamado imperador'"[ De Civitate Dei, IV, 4,1-15]
Agora que foi-se esclarecido de onde emana o poder e as obrigações estatais vamos a notícia.

Na Penitenciária Lemos Brito (PLB), situada na cidade de Salvador-Bahia, foi encontrado uma espécie de estatuto elaborado pelos presos do pavilhão 1, no qual eram estabelecidas regras de conduta que deveriam ser observadas pelos detentos. A surpresa não foi a existência de um código de comportamento dentro das instalações penitenciárias, já que o próprio diretor do presídio informou ter conhecimento do código, conhecido como Ravengar ( referência ao seu idealizador e criador, o maior traficante da Bahia, Raimundo Alves de Souza) e um professor da UFBA Eduardo Paes Machado, do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da Ufba, especialista em sociologia do crime ter destacado que esse tipo de comportamento é muito comum nos regimes carcerários. O que surpreendeu foi a audácia dos presos em "publicar" ( pois foi digitado, impresso, encadernado e distribuído)o tal código.
Mas vamos analisar mais friamente a situação. Afinal, o que essa "publicação" significa? Sugiro retirarmos todo juízo de valor impresso na atitude dos detentos ( tais como : "Apenas o Estado tem o poder de mandar na cadeia" ou " que ousadia desses criminosos em fazer leis próprias para vigorar dentro de uma instalação cuja administração cabe exclusivamente ao Estado") e observar o que essa atitude quis dizer. Uma análise mais criteriosa, e suscinta, nos permite deduzir que:

1) A capacidade do estado em promover e distribuir a justiça está desacretitada pelos detentos;
2) os mesmos sentem dificuldade em ter acesso a justiça;( o que pode ser provado pela afirmação do consentimento do regime semi-aberto para o autor do estatuto aqui mencionado e a sua não efetivação por falta de vagas, além de tantos outros que cumprem suas penas e continuam dentro das cadeias sendo privados do seu direito a liberdade)
3) a lei criada pelo Estado esbarra na ineficácia de conter ações dentro do sistema carcerário- já que eles se viram obrigados a instaurar leis próprias.
Se os presos necessitaram produzir leis próprias isso não significa que o Estado os está desamparando? E o que eles podem fazer? Rebelar-se? Seria pior.
Esse estatuto é um meio de sinalizar que as coisas não andam como deveria nas instituições penitenciárias do Brasil, já que este caso não se resume apenas ao estado da Bahia, e algo deve ser imediatamente feito para solucionar o problema.
Não me cabe aqui me posicionar contra ou a favor deste código. Se por um lado acredito que indivíduos cumprindo ações penais não têm o direito de instaurar um código dentro do sistema prisional, por outro, acredito que ninguém melhor do que os próprios presos para indicar o que precisa ser mudado, e avaliar o que funciona ou não dentro do sistema, mas não da maneira como foi feita. Ravengar solicitou uma "audiência" com o Ministério Público (MP) mas esta lhe foi negada sobre alegação de que não se discute normas administrativas com um condenado jurídico.
O que é certo é que encadernado ou não, este estatuto está em vigor dentro da prisão e muitissimo provavelmente quem o descumprir será enquadrado de acordo as especificações previstas no código. Ravengar foi levado a solitária... O que não mudará em nada a situação de fato.
Os agentes temem que as obediências, assim chamados a analogia usadas referente aos artigos de uma lei comum, vá de encontro com o regimento interno do presídio e isso cause tumultos e dificulte seu trabalho. Mas o Diretor da (PLB) garante que nenhuma das obediências vai de encontro as normas estabelecidas pela administração oficial. Além de afirmar que os detentos do pavilhão 1 possuem bom comportamento.
Na obediência VI que prevê a expulsão do detento como punição à desobediência, nos mostra o poder paralelo dentro das penitenciárias. O poder de aplicar "sanções" e inclusive o poder de tranferir ou expulsar um deles, o que indica parceria com autoridades penitenciárias que têm o poder de fazê-lo efetivamente,é assustador.
Alguns defendem a possibilidade de se estabelecer uma liderança legal que fale em nome dos interesses dos presos, mas alguns acreditam que esse poder pode acentuar ainda mais as desigualdades dentro da prisão, pois os líderes só irão favorecer os seus aliados. Na verdade essa medida é ingênua, pois ela espera que o preso seja honesto e represente toda uma "classe" de maneira igualitária, o que é meio difícil de se acreditar que irá ocorrer. Não que se espere desonestidade deles exclusivamente por estarem na condição de detentos, mas por que isso ocorre em qualquer tipo de representação, inclusive a parlamentar( cito esta por ser a mais evidenciada). O sistema é sempre o mesmo: favorecer os seus.
Abaixo segue a lista com algumas das obediências listadas do Código ravengar:

Obediência II
Não será permitido roubar companheiro de cela.
Pena: prestar serviços de faxineiro no pátio, orar um Pai-nosso ou pregar os joelhos no chão

Obediência III
Todo direito de defesa será dado ao acusado na sua possível 1ª (primeira) falta, já que na reincidência deixará automaticamente o nosso convívio

Obediência IV
Constitui-se desobediência o interno que circular em dias de visita sem camisa, com short apertado e visualmente sem cuecas. O interno que desobedecer será advertido verbalmente pela comissão

Obediência V
Não poderá haver formação de grupos para subverter a ordem dos que vivem sob o domínio da paz. Desobediência leva à não permanência em nosso convívio

Obediência VI
Ficam terminantemente proibidas agressões de qualquer natureza, principalmente aquelas que possam causar lesões físicas graves. Constitui falta, sujeito também a expulsão

Obediência VIII
Não poderá ser comercializado produto de procedência incorreta, exceto aqueles fornecidos pelo titular; aquele que adquiriu o produto do roubo perderá a compra

Obediência X
Não poderá nenhum interno se envolver coma ex-companheira de outro do mesmo módulo; Se for ex-companheira e tiver filhos, fica proibido o relacionamento.

Agora apenas para fim didático irei postar o endereço da reportagem na íntegra que saiu no Correio da Bahia para quem se interessar ou necessitar para realização de trabalhos acadêmicos.
http://correio24horas.globo.com/noticias/noticia.asp?codigo=37787&mdl=29

Esse nosso Brasil da Copa de 2014, das Olimpíadas de 2016... Será que daqui para lá haverá menos problemas sociais ou será que é por isso mesmo que a vaca vai pro brejo?


Referências Bibliográficas:
>BOBBIO, Noberto. Estado,Governo,Sociedade:Para uma teoria geral da política. 13º ed. Ed. Paz e Terra. 2007.p.73-89;
>LOCHE, Adriana; FERREIRA, Helder; SOUZA, Luis; IZUMINO, Wânia. Sociologia Jurídica.Porto Alegre. Síntese.1999. p.50
Lembram-se daquela postagem sobre os reformatórios? Então, eu tenho o prazer de lhes dar uma boa notícia. O STF está dando inicio a um programa de estágios para jovens em "dívida" com a justiça. Vislumbrando a atual política de aplicações penais notaram que: apenas punir não é eficiente; apenas enclausurar não implica em resultados e que além de oferecer custos a sociedade civil ela traz custos aos cofres públicos.
Enfim vamos começar a notar o esforço em devolver à sociedade jovens e adolescentes reintegrados a vida civil com expectativa de mudança de vida. Os reformatórios deverão deixar sua atual condição de "escola do crime" para vir a ser um local de resgate e profissionalização juvenil.
Esta iniciativa é pioneira, mas já traz consigo a esperança de manutenção e da contaminação de outros setores da sociedade em prol do mesmo objetivo: Transformar menores infratores em pessoas melhores.

Confiram abaixo a reportagem publicada no site direito do estado pelo CNJ ( Conselho Nacional de Justiça)

7/10/2009
STF vai oferecer estágio a adolescentes em conflito com a lei


Buscando a reinserção social de adolescentes em conflito com a lei ou sob a aplicação de medidas de proteção, os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Gilmar Mendes, e do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), Nívio Geraldo Gonçalves, assinaram, nesta terça-feira (06/10), Termo de Cooperação para viabilizar a realização de estágio de nível fundamental e médio e prestação de serviços no STF, por meio da Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal.

O convênio vai permitir o encaminhamento, a capacitação e o acompanhamento de adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas e sob a aplicação de medidas de proteção. O diretor-geral do STF, Alcides Diniz, explicou que os adolescentes vão cumprir quatro horas de jornada, protegidos pela Lei do Estágio, com todos os benefícios previstos, como bolsa e auxílio-transporte. O início está previsto para a segunda quinzena de outubro e o termo de cooperação tem a validade de 60 meses.
De acordo com Alcides Diniz, nos casos em que o adolescente vier para prestar serviços à comunidade, a área de recursos humanos deverá direcioná-lo para áreas como encadernação e marcenaria. Ele destacou que o grande objetivo do convênio é a ressocialização, mas com a possibilidade da qualificação profissional. "Aqui, numa área de atividade, ele vai adquirir ou se encaminhar numa profissão, para que ele possa usar isso na sequência, no mercado de trabalho", disse.

Inicialmente, serão admitidos 11 estagiários para o exercício de 2009, tendo em vista a limitação orçamentária, mas há possibilidade de ampliação desse número no exercício de 2010. O presidente do STF explicou que o programa é pequeno ainda, mas é um sinal de irresignação, de inconformismo com o status quo. "Um sinal de que nós podemos avançar na construção de novos modelos de solidariedade", disse.

Gilmar Mendes citou como exemplo de projeto exitoso o que acolhe egressos do sistema prisional. Ele disse ter informações de que, depois de o Supremo ter enfrentado esse desafio, multiplicaram-se as ofertas de emprego para os egressos do sistema prisional. Para o ministro, isso mostra que, ao lado do elemento efetivo, que é empregar as pessoas, também está sendo praticado um ato de forte conteúdo simbólico para a sociedade como um todo.

Segundo o presidente do STF, o ato é de responsabilidade social, mas também de preocupação com segurança pública. "Não se ataca o problema da reincidência sem cuidar da reinserção social", disse. De acordo com ele, a Suprema Corte do Brasil e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) estão se engajando e assumindo responsabilidades, contribuindo para que haja uma mudança desse quadro. "Sem dúvida nós estamos dando um exemplo positivo para a sociedade", afirmou.

O juiz da 1ª Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal Renato Rodovalho Scussel explica que os adolescentes que serão encaminhados ao STF já estão em formação e processo de capacitação. E destaca que, depois do estágio, eles poderão ser encaminhados a outras empresas para um vínculo empregatício mais efetivo. O juiz disse também que, de acordo com a Lei do Estágio, o período de trabalho é de um ano, podendo ser prorrogado por mais um ano.

CNJ
A grande evidência da corrupção legislativa toma tanto espaço que nos dá a falsa impressão que apenas nela reside a falta de ética e moralidade. Ao focar apenas em um dos poderes, viramos as costas para uma realidade ainda mais absurda: A corrupção dentro do poder judiciário. Aqueles que detêm o poder de promover a justiça, que deveriam zelar pela decência moral e a emergência de condições justas ao povo brasileiro, está agora, pelo menos publicamente e em grandes proporções, sendo alvo de uma verdadeira "operação limpeza". Uma iniciativa do CNJ ( Conselho Nacional de Justiça) está realizando uma verificação em todos os tribunais estaduais. As descobertas impressionaram até o ministro Gilson Dipp, o responsável em "colocar ordem na casa". Mas muitas das situações encontradas pelo ministro não eram mais novidade para a população local.
Ao mesmo tempo que uma notícia como essa nos deixa tristes e desesperançosos, pelo grau de surrealidade- já que a nossa frágil e decadente inôcencia teima em nos manter crentes na justiça e na boa fé dos que deveria torná-la concreta- Cria em nós um paradoxo que nos faz acreditar que esse é um passo para a mudança,tardia mas tão almejada.
Enfim caminhamos para vislumbrar uma justiça mais efetiva e indiscrimonatória! (tomara que seja verdade...)
Mesmo sabendo que ninguém é tão descomprometido a ponto de ser completamente imparcial -afinal todo jogo de poder faz parte de uma engrenagem que compele aos participantes terem determinadas posturas- pelo menos vai poldar algumas atitudes que já passaram da horas de serem subtraídas do sistema judiciário.
O que é certo é que, diante do movimento de investigação e correção ( de algumas) das irregularidades, todos os brasileiros estão torcendo para que essa seja a primeira de muitas atitudes sérias que objetivam a retomada(?) das verdadeiras funções do poder judiciário que é a promoção da justiça em tempo hábil.

Abaixo segue uma reportagem da Carta capital onde será mais claramente dissertada a situação e o andamento das investigações.

Boa leitura.

Limpeza na Justiça
01/10/2009 11:52:12

Leandro Fortes

Responsável pela mais importante ofensiva moralizadora conduzida, até hoje, nas entranhas do Judiciário brasileiro, o advogado Gilson Dipp, de 64 anos, vive um misto de orgulho e estupefação diante das mazelas com as quais tem sido obrigado a conviver. Ministro do Superior Tribunal de Justiça desde 1998, Dipp foi empossado como corregedor do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em setembro de 2008. A partir de então não deu trégua aos tribunais estaduais de Justiça. À frente de uma caravana que inspecionou, em um ano, dez desses tribunais, o ministro descortinou um festival de nepotismo, clientelismo, patrimonialismo, corrupção e desvios de conduta generalizados. Inaugurou, nessas viagens, uma política de audiências públicas em que, perante juízes e desembargadores, muitos deles sob suspeita, cidadãos puderam denunciar fraudes e reclamar do atendimento e das decisões.

Gaúcho de Passo Fundo, Dipp foi escolhido pelo ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal e também do CNJ, para realizar um minucioso diagnóstico das unidades de ponto do Judiciário e, finalmente, apresentar soluções para dois dos mais antigos e injustos vícios da vida republicana brasileira, a morosidade e a inépcia da Justiça. Cercado de meia dúzia de auxiliares, o ministro botou o pé na estrada e conseguiu colocar alguma ordem na bagunça. Com o apoio dos conselheiros do CNJ, afastou juízes e desembargadores acusados de irregularidades. Comanda ainda um mutirão para desafogar os cárceres brasileiros e as prateleiras dos tribunais, a chamada Meta 2, uma tentativa de julgar até o fim do ano cerca de 5 milhões de processos ajuizados até 31 de dezembro de 2005. Deve conseguir julgar, no máximo, 2 milhões.

Essa quebra de expectativa não chega a desanimar o ministro, para quem ainda serão necessários, no mínimo, dez anos de trabalho ininterrupto do CNJ para transformar os tribunais e varas de Justiça estaduais em instituições a serviço da maioria dos cidadãos. Embora se diga surpreso com a crueza do mundo real situado além dos gabinetes refrigerados de Brasília, Dipp não assume o papel de vingador. Tranquilo e bem-humorado, o ministro tem muito cuidado ao comentar sobre os autos dos processos administrativos do conselho e raramente autoriza a publicação de nomes nos relatórios produzidos pelas inspeções estaduais comandadas por ele. Visa, assim, preservar o sigilo dos inquéritos e, principalmente, manter o foco das ações que comanda.

“Nossa intenção é melhorar as práticas”, explica (entrevista na edição impressa). Segundo ele, a absoluta falta de planejamento e de gestão nos tribunais brasileiros gerou um grave distanciamento entre os magistrados (desembargadores, juízes e ministros dos tribunais superiores) e o cidadão comum. Ainda assim, avalia, o fato de haver 70 milhões de processos em andamento é um sinal de que, apesar de tudo, o brasileiro ainda acredita na Justiça. “Na verdade, o Judiciário tem pouco conhecimento de si próprio”, afirma o ministro. “Muitos magistrados nem sequer sabem o que está acontecendo dentro do próprio tribunal”, diz.

Presidente da Associação dos Magistrados do Brasil, Airton Mozart apoia o trabalho do ministro. “A ação do CNJ tem tornado o Judiciário mais transparente e ético”, afirma o juiz. Segundo ele, as audiências comandadas por Dipp restauraram o direito ao acesso e à crítica nos tribunais pelos cidadãos comuns. “Esse é o caminho para acabar com o corporativismo e a impunidade”, avalia.

Ao iniciar os trabalhos da Meta 2, o CNJ pôde constatar que os estoques de processos eram puro lixo, pois a maioria tinha sido julgada há muito tempo, só não havia sido registrada, normalmente, por desleixo ou falha nos sistemas de informática. Além disso, lembra o ministro, a cultura do Judiciário brasileiro não é a da transparência. Aliás, essa foi uma das primeiras características que a equipe do CNJ percebeu logo na primeira inspeção realizada no Tribunal de Justiça da Bahia, em outubro do ano passado. Foi, por assim dizer, a primeira descida de Dipp em um inferno judiciário em cujo portal poderia estar escrito, tal qual naquele outro, o de Dante: “Abandonai toda esperança vós que aqui entrais”.

Herança direta das quase quatro décadas de dominação do grupo político do falecido senador Antonio Carlos Magalhães, o cenário encontrado no Tribunal de Justiça da Bahia foi de puro descalabro. Os inspetores constataram, caso único no Brasil, a presença de uma instituição atravessadora que recolhia todos os recursos do Judiciário local, inclusive as verbas estaduais e as taxas de cartório. Desde 1984 era essa a função e as prerrogativas do Instituto Pedro Ribeiro de Administração Judiciária (Ipraj). Entre outras irregularidades, o Ipraj tocava obras sem licitação, firmava convênios não autorizados, fazia empréstimos e os pagamentos dos magistrados do TJ baiano sem fiscalização alguma.

Ao todo, 505 policiais militares enviados pelo instituto para o interior da Bahia, supostamente para dar segurança a juízes, recebiam pagamentos extras, depositados pelo Ipraj em contas correntes pessoais, e não pelo departamento financeiro da corporação. Esse expediente, aliado ao histórico de ligação política do instituto com a turma de ACM, levantou fortes indícios de que a entidade foi usada para a formação de caixa 2 eleitoral nos anos de ouro do carlismo. Embora tenha mantido o funcionamento do Ipraj até o fim do ano passado, o governador da Bahia, o petista Jaques Wagner, foi sensível às recomendações de Dipp e tomou algumas providências para acabar com a farra.

Com base na Constituição de 1988, que determina aos Três Poderes terem administrações e recursos próprios, o CNJ aprovou uma série de recomendações para extinguir o Ipraj e devolver ao TJ da Bahia a autonomia perdida nos últimos 25 anos. O instituto foi declarado irregular e Dipp pediu ao tribunal que apresentasse um plano de transferência da administração e, em seguida, formulasse um anteprojeto de lei para a extinção do Ipraj. O texto foi enviado à Assembleia Legislativa baiana em 15 de setembro e, com o apoio do governador petista, deverá ser aprovado nos próximos vinte dias. “Essa primeira inspeção nos causou um tremendo impacto”, afirma Dipp. O ministro não sabia, mas ainda teria muito com o que se impressionar.

A experiência na Bahia daria, dali para frente, o tom das demais inspeções do CNJ. No Pará, onde o grupo do ministro esteve em dezembro do ano passado, os inspetores listaram mais de 30 irregularidades, a começar pela alta – e estranha – rotatividade de juízes pelas varas de Justiça do estado, expediente clássico utilizado no Judiciário para retardar ou interromper o andamento de processos. Também no Pará, o CNJ identificou uma política de empreguismo, normalmente baseada na contratação de parentes, mascarada por admissões temporárias. Dos 36 servidores do setor de informática do TJ do Pará, por exemplo, 21 eram temporários, alguns dos quais sem qualquer intimidade com a ciência da computação.

Nas varas judiciais de Belém, Dipp descobriu que muitos processos tinham distribuição direcionada: eram enviados a um juiz específico, provavelmente para o cumprimento de acordos extrajudiciais predeterminados. Tradução: por meio do pagamento de propina. Em alguns casos, apenas um desembargador participava do sorteio, pois os demais, em clara orquestração, se declaravam impedidos. Ao mesmo tempo, os magistrados não negligenciavam quando o assunto era festa. Apenas em 2008, o TJ paraense gastou 212,8 mil reais em comes e bebes distribuídos em 40 coquetéis montados para eventos diversos, entre os quais a comemoração da reforma física do fórum e a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré.

No Maranhão, onde esteve em novembro de 2008, o ministro se viu diante de uma república nepotista, resultado de 40 anos de dominação do clã Sarney. Para manter parentes empregados, os desembargadores convocavam servidores lotados a 500 quilômetros de São Luís para encher os gabinetes na capital. Era tanta gente que colocá-los a trabalhar ao mesmo tempo era tarefa impossível. Simplesmente não havia lugar para todo mundo. Para evitar o caos, o presidente do TJ do Maranhão, desembargador Raimundo Cutrim, achou por bem reduzir a jornada de trabalho de oito para seis horas diárias.

Um dos eventos mais graves detectados pelo CNJ foi a prática de bloqueios judiciais em contas de bancos do Maranhão, sem critérios claros, em favor de desembargadores, juízes e promotores de Justiça. Todos autores de ações de restituição de contribuições previdenciárias, a maioria lesiva aos cofres estaduais. E de pouco adiantava ao cidadão reclamar. Em 2007, foram impetradas 120 representações contra magistrados maranhenses, mas nunca houve uma única e pálida sanção contra eles. Só a inspeção do CNJ, um ano depois, renderia punições.

Ao todo, cinco desembargadores do Tribunal de Justiça do Maranhão foram obrigados a devolver diárias recebidas indevidamente aos cofres públicos. Entre eles está a desembargadora Nelma Sarney, corregedora do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), irmã do senador José Sarney. Nelma deve assumir a presidência do TRE em 2010, ano em que a sobrinha Roseana vai concorrer à reeleição.

Também foram condenados os desembargadores Jamil Gedeon Neto, corregedor-geral de Justiça, Raimunda Santos Bezerra e Stélio Muniz. O CNJ decidiu ainda pela abertura de uma sindicância para apurar as responsabilidades do desembargador Raimundo Cutrim, atual presidente do TJ, e do ex-presidente do tribunal, Galba Maranhão. Este último é acusado de ter causado prejuízos aos cofres públicos por meio de desvios de vencimentos de cargos comissionados da presidência do TJ.

Ainda no Maranhão, o CNJ constatou haver divergências entre o recebimento de diárias e a comprovação de comparecimento aos eventos para os quais elas foram concedidas. Por isso, Nelma Sarney e Raimunda Bezerra serão obrigadas a devolver 5,8 mil reais aos cofres públicos por conta de recebimento irregular de diárias referentes a viagens nem sequer comprovadas, razão pela qual terão de ressarcir os gastos com passagens aéreas. No caso da desembargadora Raimunda, a magistrada alegou ter recebido as diárias a título de “doação” para a realização de “terapia médica”. O relator do caso, Walter Nunes, considerou a argumentação da magistrada “surreal”. Pelos mesmos motivos, os desembargadores Jamil Gedeon Neto e José Joaquim Figueiredo dos Anjos deverão devolver aos cofres do TJ maranhense 11,7 mil reais.

Na Bahia, o CNJ apertou o cerco contra magistrados. Em 15 de setembro, afastou duas juízas, Maria de Fátima Carvalho e Janete Fadul, acusadas de vender sentenças. Elas foram citadas em gravações telefônicas obtidas pela Operação Janus, realizada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público baiano no ano passado. Em uma escuta telefônica feita pela PF, um filho de Maria de Fátima negocia a venda de uma sentença favorável a uma empreiteira em troca de 700 mil reais. O relator do processo foi o ministro Dipp.

No Espírito Santo, o CNJ ordenou, em maio, a interdição de dois presídios, nos municípios de Cariacica e Serra, por conta de denúncias de violação de direitos humanos. No Amazonas, em 19 de agosto, foram afastados o desembargador Yedo Simões e o juiz Elci Simões. Os dois são irmãos e acusados de irregularidades administrativas no TJ amazonense. Na Paraíba, foram afastados, também em agosto, Alexsandro Brito Araújo e Daniel Dias Rodrigues, diretor e diretor-adjunto, respectivamente, do Presídio de Segurança Máxima de Campina Grande. Em todos os estados, as sindicâncias e investigações continuam.

“As políticas públicas do CNJ e da corregedoria são exigências da sociedade”, define Dipp. “O Judiciário brasileiro não vai conviver mais com o atraso com que vinha convivendo. Ele foi despertado”, avisa. Espera-se que o trabalho de Dipp deixe marcas duradouras.

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