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Bem, as revistas brasileiras confrontam as suas opiniões a respeito do caso em Honduras. Enquanto uma tenta fazer a imagem governista de "bobo da corte" outra problematiza o caso e ver a situação mas moderadamente. Para que não diga que privilegio informações irei postar os dois lados da questão para que os leitores tirem suas próprias conclusões a respeito.
Irei comentar ( claro eu tenho uma opinião definida a respeito do caso!) alguns pontos que eu considerei absurdos.
Boa reflexão.




.............................Revista Veja.

..................Zelaya, fique à vontade: a casa é mesmo sua

27 de setembro de 2009

Por Thaís Oyama,
enviada especial de VEJA a Tegucigalpa



Nenhuma surpresa: a enfática reação do Brasil diante do fato consumado de que Zelaya está usando a embaixada como bunker para exortar os hondurenhos à insurreição resumiu-se a um acanhado pedido oficial para que ele "abstenha-se de fazer conclamações e que não ultrapasse os limites já firmados".

A progressiva desenvoltura com que o hondurenho vem se comportando e a proporcional condescendência com que vem sendo tratado pelo governo brasileiro permitiram que, ontem, o presidente deposto distribuísse comunicado a jornalistas instando a população de Honduras a "organizar-se para promover atos de desobediência civil contra a ditadura - coisa que ele sabe muito bem no que pode dar.
(Comentário pessoal: O que seria da nosso Brasil se a população aceitasse pacificamente o golpe militar? A população tem mais é que se mostrar insatisfeita mesmo, estamos falando de um GOLPE DE ESTADO, gostaria de lembrar que este é ilegítimo, Não vi em momento algum comentários que deveria ser feita uma luta armada. Existe maneira mais pacífica de demonstrar insatisfação com um governo ditatorial do que a desobediência civil? Inclusive este metódo foi o proclamado por Dalai Lama um dos grandes exemplos de pacificidade.)

A tensão em Tegucigalpa é crescente. A presença de soldados, e agora das tropas de choque, diante da embaixada foi reforçada ontem e hoje. Amanhã, dia 28, completam-se três meses da deposição de Zelaya e grandes manifestações de rua estão sendo esperadas.

O ministro Celso Amorim soube do episódio do comunicado de Zelaya aos hondurenhos assim que chegou ao Brasil, vindo da Venezuela, na noite de ontem. Nem se deu ao trabalho de transmitir ele mesmo ao presidente deposto a resoluta e inapelável mensagem do governo brasileiro. Passou a tarefa para o único diplomata presente na embaixada, o ministro-conselheiro Lineu Pupo de Paula - que, aliás, já havia dito o mesmo ao hondurenho no dia anterior. Zelaya deve estar tremendo de medo.


A verdade sobre o "gás mortal" de Zelaya
26 de setembro de 2009

De onde quer que tenha partido o tal "gás tóxico" de que falou Manuel Zelaya, ele não teve outro efeito que não o de servir para que o presidente deposto exercesse seu marketing histriônico mais uma vez.

Bandeira brasileira hasteada na sacada da embaixada (AP)Um cheiro forte de gás foi de fato sentido na manhã de sexta-feira na embaixada brasileira e alguém terá de dar uma explicação sobre isso. Mas, segundo relatos insuspeitos de quem está lá dentro, ele:

- não provocou mais do que um ressecamento passageiro na garganta e um ardor nas narinas

- ninguém passou mal, vomitou sangue ou urinou sangue por causa disso, como alardeou Zelaya, que hoje chegou a comparar a substância às "duchas de gás nazistas"

- os médicos da Cruz Vermelha não foram impedidos de entrar para examinar os supostos "feridos"

- os 63 partidários do presidente deposto que se encontram na embaixada estão todos muito bem, obrigado

( comentário pessoal: Quer dizer que o fato de não ter matado alguém retira a gravidade do ato?! Aah, já que não morreu ninguém vamos deixar para lá... Que absurdo! Consideremos que aquele velho ditado :" quem conta um conto aumenta um ponto" tenha sido utilizado no caso. Este episódio demonstrou a fragilidade de defesa da embaixada brasileira e sugeriu intenções nada boas dos golpistas. O fato de ninguém ter expelido sangue não ameniza a periculosidade do ato. Notem a maneira com a qual a jornalista acima se refere ao acontecido: - ninguém passou mal, vomitou sangue ou urinou sangue por causa disso;- não provocou mais do que um ressecamento passageiro na garganta e um ardor nas narinas. Não sei se foi impressão minha mas me pareceu bem descausada e irônica. Não estamos falando de um pisão no pé num baile. Estamos nos referindo a um gás atirado dentro de uma embaixada internacional! Não importa o seu efeito, para causar bem-estar ou dar as boas vindas que não foi!)

Tão bem que hoje, depois do almoço, resolveram se juntar para, aproveitando a recém permitida proximidade da imprensa, espalhar cartazes na varanda com frases conclamando a resistência. Só desistiram depois de tomar uma bronca do novo encarregado de (tentar) manter o que resta da autoridade brasileira na embaixada, o ministro-conselheiro Lineu Pupo de Paula.
(Comentário pessoal: Claro que Zelaya não pode usar a embaixada como escritório político. Mas covenhamos que ele não tem muitas maneiras de tentar chamar atenção da população ( se é que precisa) e das comunidades internacionais para o que está acontecendo com seu país.)

Um pouco mais tarde, foi a vez do próprio Zelaya mostrar que, na qualidade de "hóspede", já ultrapassou todos os limites da desenvoltura: em comunicado distribuído aos jornalistas que estão dormindo na embaixada, exortou os hondurenhos a "organizar-se em cada aldeia, bairro, povoado, município, para promover atos de desobediência civil contra a ditaduras". Zelaya não tem mais qualquer dúvida de que a embaixada brasileira é seu bunker particular. Registre-se que ontem mesmo o presidente Lula ligou para o hondurenho para pedir-lhe um pouco de moderação e compostura. Agora, terá de engolir a seco mais essa afronta.



..................................Carta Capital.

...............................Democracia sitiada

25/09/2009 10:38:32

Cynara Menezes

A mediação pela Organização dos Estados Americanos (OEA) parece ser a única saída possível para o impasse em que se encontra Honduras desde que o presidente deposto, Manuel Zelaya, voltou ao país e pediu abrigo na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Mantida sob controle pelas tropas de Roberto Micheletti durante os três meses de governo golpista, a população foi às ruas em apoio a Zelaya, levando a capital à convulsão. Ao menos duas pessoas morreram nos confrontos.

Micheletti se disse disposto a conversar, mas não a devolver o cargo ao presidente deposto. “Minha oferta não tem o poder de cancelar a ordem de prisão que lhe foi dada nem as acusações que sofre. Minha oferta é buscar uma solução política, mas não posso resolver suas dificuldades legais”, anunciou, em nota, o golpista, deixando bem claro que, se sair da embaixada, Zelaya será preso.

Em Honduras, ninguém se atrevia a antecipar um desfecho para o episódio. Até os analistas mais independentes duvidavam que o ex-presidente consiga voltar ao governo do qual foi apeado em 28 de junho. Uma solução aventada é a realização de um referendo entre a população para conferir se a maioria dos hondurenhos deseja o presidente de volta, mas nem mesmo a diplomacia brasileira acreditava na possibilidade desse tipo de entendimento.

“Foi por causa de uma consulta que o Zelaya caiu. Ele queria saber se havia a disposição para realizar uma Assembleia Constituinte e isso foi lido como tentativa de reeleição, o que serviu de argumento para o golpe”, disse à CartaCapital o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia. O assessor de Lula rechaçou por completo a possibilidade de Zelaya se entregar, defendida em editorial pelo jornal americano Wall Street Journal, tese abarcada por vários diários hondurenhos.

“Se entregar por quê? Ele é o presidente legítimo. Podemos imaginar que, por conta de uma negociação, os golpistas não sejam punidos, só isso”, opinou Garcia, que se declarou “estupefato” com o posicionamento da imprensa brasileira no episódio. “Os jornais estão mais preocupados em saber se o Brasil ajudou o Zelaya a entrar de volta no país, se não seria uma exorbitância nossa. Ora, o absurdo não é ele ter entrado, mas ter saído, de pijama e com uma metralhadora na cabeça.”

De acordo com o governo brasileiro, o Itamaraty só teria sido informado da chegada de Zelaya a Honduras depois que este havia batido às portas de sua representação diplomática em Tegucigalpa. O próprio Zelaya contou à imprensa que seu retorno foi concretizado, após duas tentativas frustradas, por meio de uma operação que durou quinze horas, por terra e por ar, entre o domingo 20 e segunda-feira 21.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi quem deu mais detalhes da operação. “O presidente deposto, Manuel Zelaya, chegou no porta-malas de um carro e passou por vinte postos de controle para chegar a Tegucigalpa”, revelou Chávez. Depois, em Nova York, o venezuelano afirmou ter despistado os opositores de Zelaya dando informações erradas em telefones supostamente grampeados. “Liguei para ele e, como sei que estão nos gravando por satélite, disse: ‘Zelaya, nos vemos em Nova York’”, contou o venezuelano.

Fazendeiro rico, originalmente de centro-direita e perfil conservador, Zelaya começou a ser atacado pelos setores dominantes de seu país e foi apeado do poder justamente por se aproximar de Chávez e dos demais presidentes “bolivarianos” da América do Sul, Evo Morales, da Bolívia, e Rafael Correa, do Equador.

No decorrer da semana, a imprensa hondurenha criticava a diplomacia brasileira por ter permitido a entrada de Zelaya na embaixada em Tegucigalpa. “Há um problema em Honduras e devemos resolvê-lo definitivamente entre os hondurenhos”, defendia o El Heraldo. E destacava outro texto, assinado por um leitor, em que os diplomatas brasileiros eram chamados de “bárbaros do Sul”, agindo de forma homóloga aos “bárbaros do Norte”, os EUA.

O jornal La Tribuna acusava os simpatizantes do presidente deposto de vandalismo e, ao mesmo tempo, exortava os golpistas a aceitar nova visita da OEA, embora Micheletti tenha declarado restrições ao secretário-geral, José Miguel Insulza, a quem considera parcial. O único veículo impresso que se mostrava simpático à causa Zelayista era o pequeno Tiempo, de San Pedro, que, em editorial, mostrava as razões pelas quais o presidente golpista diz não perseguir a imprensa. Em Honduras, “o jornalista que valoriza sua vida ou se vende ou se expõe a ser atropelado por um ônibus”, acusou o diário.

O Tiempo também foi o único a destacar o pedido da Prêmio Nobel da Paz guatemalteca, Rigoberta Minchu, de que a integridade física de Zelaya seja respeitada, e o apelo da Anistia Internacional para que cessasse a repressão nas ruas. Ao menos dois veículos favoráveis a Zelaya, a Rádio Globo e a rede de televisão Canal 36, alegaram ter sido vítimas de atentados. “Os donos dos jornais não permitem que se fale contra o governo”, declarou à CartaCapital o articulista Billy Peña, do Tiempo, que afirmou não enxergar saída para a crise.

“Ambos, tanto Zelaya quanto Micheletti,- não dão o braço a torcer. Preocupa-me que haja um banho de sangue. Não acredito que Zelaya volte à Presidência”, opinou Peña, segundo quem, existe, para além da política, uma questão pessoal entre o golpista e o deposto, daí a intransigência mútua. Antes de planejar o golpe contra Zelaya, Micheletti era seu aliado. Os dois foram eleitos pelo Partido Liberal e Micheletti ocupou a presidência do Congresso enquanto Zelaya era presidente do país.

Dentro da embaixada brasileira, Zelaya reclamava de se sentir como se estivesse “num cárcere”. Uma das condições impostas pelo governo brasileiro para o “abrigo” – evitava-se falar em “asilo”, – foi que o presidente deposto mantivesse um perfil discreto, para não dar margens às criticas dos partidários de Micheletti e da oposição brasileira, que já acusava o hondurenho de transformar a representação diplomática do país em “escritório político”.

Manter-se discreto não parece ser o forte do bigodudo Zelaya, com seu 1,90 metro de altura e chapéu de caubói. Suas últimas declarações, de que ele e os seguidores na embaixada estavam sofrendo “dos nervos” devido ao bombardeio de ondas de ultrassom emitidas por equipamentos instalados por mercenários israe-lenses, causaram desconfiança na imprensa internacional. Assim como a suspeita de que o governo Micheletti dispunha de um plano para assassiná-lo no interior da representação brasileira, fazendo crer que fora suicídio.

Histrionismos à parte, o que poucos questionam é a legitimidade de seu retorno ao poder. Depois que o presidente Lula declarou na Assembleia-Geral da ONU que a comunidade internacional exige que Manuel Zelaya reassuma imediatamente a Presidência de seu país”, outros chefes de Estado o seguiram. Também na ONU, o presidente do governo espanhol, José Luis Zapatero, declarou: “Não vamos aceitar um golpe antidemocrático. A democracia voltará a Honduras”.

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, pediu em discurso que as eleições em Honduras sejam coordenadas pelo presidente eleito “democraticamente”. E o cerco a Micheletti continuou com a suspensão temporária pela ONU da cooperação com o Supremo Tribunal Eleitoral de Honduras para a realização do pleito de novembro, por falta de credibilidade.

Ecoava ainda a decisão do FMI de continuar reconhecendo Zelaya como chefe de Estado. No contra-ataque, os jornais hondurenhos divulgaram um estudo elaborado pela Biblioteca do Congresso dos EUA que avalia a destituição de Zelaya como “amparada na Constituição”. O informe defende, porém, que a expulsão do presidente eleito foi ilegal e recomenda a Micheletti que permita sua saída da embaixada.

O governo brasileiro mantinha a expectativa de uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU na sexta-feira 25. Como os analistas hondurenhos, o Itamaraty trabalha com a hipótese da negociação entre os golpistas e o presidente eleito para que o país não entre numa crise de longa duração. Apesar dos péssimos indicadores sociais, com altas taxas de desigualdade, analfabetismo e trabalho infantil, Honduras é um país de tradição pacífica.

Mesmo com as restrições feitas a seu nome por Micheletti, Insulza anunciou a ida de uma missão a Honduras para uma mesa de negociações tendo como base o acordo de San José, elaborado pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que prevê a volta de Zelaya ao poder sem direito à reeleição. Em entrevista, Insulza disse que “toda – com t maiúsculo – comunidade internacional apoia a atitude do Brasil”.

Resta saber como e quando Zelaya sairá de seu bunker na embaixada para participar das negociações. “Haya de la Torre ficou dez anos numa embaixada, isso é o de menos”, declarou Marco Aurélio Garcia. Na verdade, o peruano Víctor Raúl Haya de la Torre, perseguido pela ditadura militar do general Manuel Odría, se refugiou durante cinco anos na embaixada da Colômbia, em Lima, de 1949 a 1954, até obter um salvo-conduto para deixar o Peru. Zelaya, ao contrário, parece disposto a cruzar as portas da embaixada brasileira só quando obtiver o direito de permanecer, não de fugir.

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